Mundo (96)

Decisão demorou quase quatro anos para ser tomada por existirem dúvidas sobre a condição mental do criminoso.

Um assassino em série, que ficou conhecido depois de ter cortado o próprio Pênis, recebeu finalmente a sua sentença. Nikko Jenkins, de 30 anos, recebeu a pena de morte depois de mostrar "falta de remorso" por seus assassinatos.

Ele foi considerado culpado pela morte de quatro pessoas em Omaha, Nebraska, nos Estados Unidos, em 2013. Agora, ele recebeu a sentença, a primeira de morte do estado do Nebraska desde que a punição foi reintegrada em novembro do ano passado.

A decisão pela pena de morte foi tomada mesmo com as tentativas da defesa de Jenkins alegando uma psicose e pedindo uma condenação mais indulgente. Eles queriam provar que ele não estava mentalmente saudável quando cometeu os crimes. A prova disso, segundo a defesa, foi ele ter-se mutilado quando cortou o pênis.

Supostamente, o assassino em série se automutilou porque ouvia vozes. O homem contou que o deus Apophis lhe dizia que ele se assemelhava a uma cobra gigante, e que seu membro parecia um réptil.

Nikko Jenkins (esquerda) e uma de suas vítimas, Curtis Bradford

 

 

Nikko Jenkins (esquerda) e uma de suas vítimas, Curtis Bradford

 

A automutilação ocorreu meses após Jenkins ter sido considerado um psicopata por um psiquiatra. Ele também tentou tatuar 666 em sua própria testa, mas na ocasião ele tentou fazer a tatuagem no reflexo em um espelho. Jenkins teria dito que queria fazer o número 666 porque não estava recebendo tratamento para sua suposta doença mental, de acordo com o site de notícias local Omaha.com.

Os crimes que ele cometeu

Foi em agosto de 2013 que Nikko Jenkins foi liberado da cadeia após cumprir uma pena de prisão de 10 anos por dois atentados e dois assaltos.

Apenas alguns dias depois de ser libertado, ele atirou e matou Juan Uribe-Pena e Jorge Cajiga-Ruizon, usando uma espingarda calibre 12. Os corpos foram encontrados, mais tarde, dentro de uma caminhonete no Sudeste da cidade Omaha.

Oito dias depois, Jenkins matou Curtis Bradford, um homem que ele conhecia da prisão. Mais tarde, ele matou Andrea Kruger, antes de fugir em seu carro. Jenkins foi condenado por quatro acusações de assassinato em primeiro grau depois de ele ter matado quatro pessoas em 10 dias.

Condição mental adiou a sentença

A sentença foi adiada por anos devido a preocupações em torno de sua condição de saúde. Um psiquiatra de defesa disse que ele sofria de esquizofrenia, bem como de um transtorno bipolar. O assassino dizia também que agia sob os comandos de voz de um deus da serpente, mas os psiquiatras tinham dúvidas se ele era ou não um verdadeiro esquizofrênico.

Depois de vários exames e de Jenkins ser analisado por diferentes psiquiatras, ele foi considerado competente o suficiente para ser julgado.

Quando o criminoso recebeu a pena de morte, o juiz Peter Bataillon disse que a decisão levou em consideração sua história violenta, bem como sua falta de remorso. O juiz disse que cada um dos assassinatos foi um ataque deliberado e planejado.

 

 

Fonte: A.M. NEWS/ Blastingnews

Há poucos sinais da crise pela qual passa a Venezuela no restaurante La Esquina, localizado em uma região nobre da capital do país, Caracas.

Música sai dos alto-falantes escondidos em meio à vegetação exuberante. O moderno bar no jardim tem vista para a piscina, peça central do restaurante. No interior, há uma parede inteira de opções de vinhos finos para os clientes, enquanto o menu inclui itens como carpacciopoke e azeite trufado.

Este restaurante está a um mundo de distância de grande parte da Venezuela, onde cerca de 90% das pessoas vivem na pobreza e a inflação atingirá 10.000.000% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o salário mínimo em torno de US$ 5 (R$ 20), a maioria das pessoas tem dificuldades de pagar por uma dúzia de ovos ou um simples saco de arroz.

Enquanto isso, no lado mais abastado da cidade, há um pequeno supermercado que vende produtos importados para aqueles em melhores condições. A maioria dos clientes são estrangeiros e os venezuelanos mais ricos, inclusive os chamados "boligarcas" - apelido dado à nova oligarquia que se deu bem sob a "revolução bolivariana" de Hugo Chávez (19564-2013) e Nicolás Maduro.

Nas prateleiras, há pasta de queijo gourmet, azeitonas e caviar. Uma perna de jamón serrano, um tipo de presunto espanhol curado, custa US$ 1,8 mil (ou quase R$ 7,2 mil).null.

 

Caracas às escurasDireito de imagemGETTY IMAGES
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A Venezuela sofreu um apagão recentemente

Em um país que já foi um dos mais prósperos da região, restam poucos lugares como este. Mas, mesmo nos piores momentos, é notável que eles ainda existam.

Privilégios decrescentes

Ronald Balza Guanipa, reitor da faculdade de Economia da Universidade Católica Andres Bello, em Caracas, diz que os clientes destes negócios se limitam a dois tipos de venezuelanos: aqueles que recebem dinheiro de parentes no exterior e aqueles que recebem salários em outras moedas.

São um resultado, afirma ele, de épocas anteriores, quando as receitas do petróleo eram altas e os venezuelanos podiam economizar. Mas isso mascara uma realidade difícil mesmo para os mais privilegiados.

"Só porque há pessoas que ainda podem comer em restaurantes não significa que elas conseguem obter todos os medicamentos de que precisam", diz Guanipa. "Elas não podem planejar a educação de seus filhos, comprar peças de carros ou pensar no futuro."

Desde 2013, quando o presidente Hugo Chávez morreu, a economia da Venezuela encolheu mais de 50%. "Para alguns, foi bem mais do que isso, e por isso há tanta pobreza", diz Guanipa.

"Enquanto isso, milhões de venezuelanos foram embora. Os que vemos nos restaurantes têm família no exterior."

Dificuldade crescente

A recente escassez de energia em todo o país dificultou ainda mais vidas que já estavam difíceis. "A escassez de energia nos pegou de surpresa. Estávamos esperando que isso acontecesse algum dia, mas nunca pensamos que seria tão cedo", diz Carlos César Ávila, dono da rede de cafés Franca.

Ele tem 200 funcionários, quatro lojas e se prepara para abrir a quinta. "Nos dias em que não tínhamos energia, não tínhamos clientes. Nos dias em que tínhamos energia em algumas lojas, elas ficavam abarrotadas de gente, porque eram como se fossem paraísos em meio ao caos."

Duas clientes olham as vitrines de um café da rede Franca
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A rede de cafés Franca tem 200 funcionários, quatro lojas e se prepara para abrir a quinta

Apesar dos desafios e do número de venezuelanos que deixaram o país, ele ainda vê uma oportunidade em atender às 30 milhões de pessoas que vivem na Venezuela.

"As pessoas que vivem aqui precisam de tempo de lazer, precisam se reunir, tomar café, e isso é basicamente o que oferecemos, um refúgio", diz ele.

"Para trabalhar neste setor, você precisa de funcionários, fornecedores. Portanto, mesmo que nosso impacto pareça pequeno, de alguma forma acabamos beneficiando muitas pessoas."

Mas o empresário admite que manter seu negócio é difícil. "É como andar de bicicleta ladeira acima: se você parar, vai cair. Você tem de continuar pedalando."

'Todos nós fomos atingidos'

Daniela Salazar, que trabalha com marketing e ganha US$ 150 (R$ 597) por mês, é uma das clientes de Carlos que desfruta de um café e uma fatia de bolo com um amigo.

"Se você tiver sorte o suficiente de ganhar em dólar, pode viver decentemente", diz ela, admitindo que a comida à sua frente vale um salário mínimo na Venezuela.

"Costumava consumir muito mais, comer bolo e biscoitos, pagar a conta de amigos, mas, agora, é só um café. Hoje é uma exceção, porque é meu aniversário."

Yuraima Cruz (dir.) sua irmã Yajaira
Image caption

Yuraima Cruz (dir.) costumava trabalhar como psicóloga do governo, mas, hoje, atende em um consultório e cobra em dólar

Perto dali, Yuraima Cruz está comemorando sua aposentadoria com sua irmã Yajaira e alguns colegas. Ela costumava trabalhar como psicóloga para governo. Agora, trabalha em um consultório particular e cobra por suas consultas em dólar.

"Ganho melhor, mas não é suficiente para lidar com a inflação", diz ela, que ganha uma pensão do governo de cerca de US$ 5 por mês.

"Com o meu salário do governo, costumava pagar a escola do meu filho, comprei um carro", diz ela, melancolicamente. "Eu e meus amigos todos temos diploma universitário, já fomos de classe média, mas todos fomos atingidos pela crise."

 

Katy Watson

O material foi usado, por exemplo, nas estruturas construídas pela ONG Oxfam no campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, e no centro educacional da Fundação Ojai, na Califórnia, nos EUA, que sobreviveu ao incêndio florestal devastador de dezembro de 2017.

O sol arde lá fora, enquanto galinhas correm no quintal e música toca sob a lona da cozinha improvisada. As nuvens da manhã se dissipam, dando lugar à imagem do vulcão Popocatepetl parcialmente coberto de neve.

Pelas ruas de Hueyapan, em Morelos, no México, ainda é possível ver os escombros do terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a região em setembro de 2017.

O epicentro do abalo fica a apenas 60 quilômetros daqui.

Pablo Cuauhtémoc Saavedra Castellanas está parado ao lado da obra da nova casa de sua família. Mas diferentemente de muitos vizinhos, Saavedra não está usando blocos de concreto na reconstrução - e, sim, um material chamado superadobe.

Como este material é feito a partir de terra, não requer recursos externos. E, algo que é importante para quem vive em zonas sísmicas, é resistente a terremotos.

A técnica

Sacos de polipropileno preenchidos com uma mistura de terra e cal são empilhados uns sobre os outros. As paredes da casa são cobertas por três camadas de terra, cal, grama e esterco de cavalo. O telhado é, atualmente, uma lona.

Mais tarde, a lona será substituída por telhas de barro fabricadas localmente, que compõem há séculos a arquitetura regional.

"Para mim, é fascinante ter uma casa de superadobe, acima de tudo por causa da arquitetura e pelo uso da terra, a partir de recursos locais", diz Saavedra.

"Sou apaixonado pela nossa cultura e tradições. Construímos casas de terra por muitos anos. Ter uma casa feita de superadobe é levar isso a outro patamar."

Foto da construção da casa de superadobe de Pablo Cuauhtémoc Saavedra CastellanasDireito de imagemMALLIKA VORA
Image captionFoto da construção da casa de Pablo Cuauhtémoc Saavedra Castellanas

Saavedra é um jovem tecelão que segue a tradição das avós, criando tecidos com lã de ovelha e os tingindo com plantas locais. Ele também ensina náhuatl, a língua indígena mais falada na região central do México.

Durante o terremoto, tanto sua casa quanto a escola de náhuatl desmoronaram, junto com outras 300 construções desta comunidade de cerca de 7,5 mil habitantes. Dez pessoas morreram e diversas ficaram feridas.

Saavedra e sua família receberam os materiais e as instruções para construção da casa da organização Siembra Arquitectura, com sede na Cidade do México, que ensina as pessoas desabrigadas pelo terremoto a erguer residências resistentes.

Um dos materiais que eles estão incentivando a usar é o superadobe.

Origem 'espacial'

O superadobe foi desenvolvido pelo arquiteto iraniano-americano Nader Khalili. Ele apresentou seu sistema de construção com sacos de terra pela primeira vez em um simpósio da Nasa, agência espacial americana, em 1984.

Os participantes do evento deviam compartilhar ideias sobre como fazer construções na Lua e em Marte, usando materiais disponíveis localmente, devido aos custos exorbitantes de transportar materiais da Terra para o espaço.

Sacos com mistura de terra com cal empilhados uns sobre os outrosDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO superadobe é feito a partir de uma mistura de terra com cal, que é comprimida dentro de sacos empilhados uns sobre os outros

"Quando meu pai fez essa apresentação, tinha em mente que a terra é realmente ouro: 99% do material que você precisa para construir um abrigo para si mesmo está em seu próprio terreno. Trata-se de sustentabilidade e empoderamento de verdade", diz Sheefteh Khalili, codiretor do Instituto Cal-Earth.

Esta organização sem fins lucrativos, fundada por seu falecido pai em 1991, ensina as pessoas a construir estruturas sustentáveis, resistentes a desastres, usando uma arquitetura baseada na terra.

Evolução da tradição

O superadobe não é muito diferente do adobe, usado há séculos nesta região.

O adobe é um material que consiste em terra compactada com materiais orgânicos, como milho, feno e esterco animal. É um dos materiais de construção mais antigos do mundo, embora seus componentes possam variar.

O superadobe também é fabricado a partir de terra e de materiais orgânicos. Mas a mistura é fortificada com cal, depois comprimida em sacos de polipropileno - o mesmo material usado para criar diques de sacos de areia para conter inundações.

O interior de uma casa de superadobe no Instituto Cal-EarthDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO interior de uma casa de superadobe no Instituto Cal-Earth

Estes sacos são empilhados uns sobre os outros - e cada camada é separada por arame farpado. Isso mantém os sacos no lugar e efetivamente forma as paredes da estrutura.

Estima-se que as residências de superadobe podem durar séculos, e sua produção é de baixo custo.

Nesta comunidade agrícola remota, a produção do novo material também tem potencial de gerar autonomia e empregos mais bem remunerados.

"Meu pai desenvolveu o superadobe para ser usado praticamente em todos os lugares", diz Sheefteh.

"Não encontramos um contexto em que não seja possível."

O superadobe de Nader Khalili foi inspirado em residências antigas de regiões de clima extremo, como os desertos do Oriente Médio.

As estruturas feitas do material provaram suportar desastres naturais devastadores. Após o terremoto de magnitude 7,2 no Nepal em 2015 e o furacão Maria em Porto Rico, os edifícios de superadobe continuavam de pé.

Casas de superadobe no Instituto Cal-EarthDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCasas de superadobe no Instituto Cal-Earth, organização fundada por Nader Khalili para compartilhar sua técnica

Atualmente, existem inúmeras casas de superadobe em todo o mundo, desde abrigos de emergência até residências de luxo.

O material foi usado, por exemplo, nas estruturas construídas pela ONG Oxfam no campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, e no centro educacional da Fundação Ojai, na Califórnia, nos EUA, que sobreviveu ao incêndio florestal devastador de dezembro de 2017.

Arquitetura particular

Muitas destas casas têm o formato de cúpula, considerado mais resistente por causa da física por trás da construção em forma de arco.

Mas, em Hueyapan, os moradores locais preferem um estilo mais tradicional.

Por isso, a Siembra Arquitectura projetou casas retangulares - reforçadas, no entanto, com pilares em todos os ângulos.

Sheefteh Khalili diz que o sonho da Cal-Earth era poder enviar construtores treinados para situações de emergências - como, por exemplo, zonas de desastre ou acampamentos de refugiados - levando apenas uma mochila com materiais essenciais para construir casas usando a terra e outros recursos naturais locais.

"Compreender os princípios da construção com superadobe significa entender que (o método) está enraizado na arquitetura antiga e indígena, mas que hoje podemos construir edifícios que estejam em harmonia com a natureza e sejam sustentáveis, modernos e realmente seguros", diz Sheefteh.

"As pessoas podem viver suas vidas nessas casas que estarão lá por muitas gerações."

Parede de casa de superadobeDireito de imagemMALLIKA VORA
Image captionComo se trata de um material térmico, ele libera calor nas casas à noite e frescor durante o dia

O superadobe e o adobe também são indicados para regiões com climas extremos como o de Hueyapan, que por estar a 2,5 mil metros de altitude pode ser castigada pelo sol escaldante durante o dia e temperaturas congelantes à noite.

O adobe é um material térmico que capta o calor do dia, liberando-o dentro da estrutura durante a noite. Quando anoitece, faz o oposto: absorve o frio que vai refrescar a casa durante o dia.

Para os moradores locais, um dos inconvenientes em relação ao material é o tempo que demora para a construção. Pode-se levar até três meses para erguer uma casa de superadobe, dependendo do clima.

Tanto a produção de adobe quanto de superadobe requerem misturar materiais e, em seguida, pisar sobre eles - com a ajuda de cavalos, no caso de Hueyapan - para compactar totalmente a mistura.

A longa estação chuvosa da parte central do México pode retardar ainda mais esse processo.

Esta é uma das razões por que algumas pessoas que perderam suas casas prefeririam ter a nova residência construída com blocos de concreto: é mais rápido.

Processo trabalhoso

Juan Manuel Espinoza Cortés foi um dos primeiros moradores a receber uma casa de superadobe em Hueyapan - há pelo menos oito.

Ele divide a moradia de três quartos, que fica em frente a um pomar, com seus pais Don Luz e Dona Célia.

Espinoza Cortés aprendeu a construir a casa com o grupo Siembra Arquitectura e agora supervisiona todos os projetos da organização em Hueyapan.

"Construir com concreto é mais fácil", diz Espinoza.

"Nós temos de pisar no adobe. Usamos cavalos, usamos gente. Quando você começa a pisar nele, para nivelar a superfície, você percebe o quão intenso será o processo. Mas agora que entendemos como fazer, estamos fazendo mais rápido. Estamos animados. "

Os dois terremotos mais fortes de 2017 no México não foram atípicos, e Espinoza testemunhou como sua nova casa reagiu diante de outros tremores.

"Ela balança com o movimento da terra", diz ele.

"Observei ela se mexer e se acomodar. E outras pessoas também viram isso; isso faz as pessoas terem fé. Mostra que é um material de qualidade."

Agora, cerca de três meses após o início das obras, a casa de superadobe de Saavedra está quase pronta. Sua família já se mudou para lá.

Embora o processo seja trabalhoso, ele reconhece que não foi difícil de aprender. E está feliz com isso.

"É uma construção verdadeiramente ecológica", afirma.

"Acima de tudo, o formato retangular é agradável, é realmente uma casa - e tem tudo que uma família necessita para viver bem".

 

Fonte: BBC.com

"Eu estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentam de sardinhas, quando, das profundezas, uma baleia Bryde surgiu, engolindo tudo em seu caminho", disse Rainer Schimpf

Há vários dias, as imagens da desventura de um mergulhador sul-africano circulam na internet: ele escapou milagrosamente da morte na semana passada depois de ter sido brevemente engolido por uma baleia em Port Elizabeth (sul).

A Bíblia conta que o profeta Jonas passou três dias no ventre de uma baleia. Rainer Schimpf viveu a mesma experiência, mas apenas por alguns segundos. "Eu estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentam de sardinhas, quando, das profundezas, uma baleia Bryde surgiu, engolindo tudo em seu caminho", relatou à AFP o defensor do meio ambiente.

"Senti pressão ao redor da minha cintura, e soube imediatamente o que estava acontecendo", acrescentou. "Foi apenas uma questão de segundos antes que a baleia percebesse seu erro e abrisse a boca para me cuspir".

 

A esposa do mergulhador, Silke, e um fotógrafo observaram com horror e documentaram devidamente a cena.Em algumas imagens, apenas as pernas de Rainer schimpf aparecem para fora da boca do predador, um raro espécime de baleia Bryde, cetáceo que pode chegar a 15 m e que se alimenta de pequenos peixes e crustáceos.

Mal recuperado do susto, o mergulhador não hesitou antes de voltar ao mar. "Verificamos que o equipamento estava ok, que eu não tinha ossos quebrados, que tudo estava no lugar", disse ele, antes de adicionar com um grande sorriso: "adrenalina ao máximo, eu não queria perder essa sessão de mergulho, voltei para a água, dessa vez em busca de tubarões".

Schimpf, 51 anos e vinte de experiência e vários prêmios, é plenamente ciente dos riscos que corre. "Predadores como baleias ou tubarões vão com tudo sobre suas presas e muitas vezes nossa visibilidade é extremamente baixa", diz.

Mas fora de questão de desistir de sua missão. "Nossa determinação em garantir ao meio ambiente a maior atenção e proteção continua intacta". "E se eu renascer, gostaria que fosse na forma de uma baleia".

Enquanto espera por sua eventual reencarnação, sua interpretação involuntária de Jonas fez dele uma estrela nas redes sociais. As imagens de sua experiência já ultrapassaram a marca de três milhões no YouTube.

 

AF Agência France-Presse / Agencia Brasil

"Eu estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentam de sardinhas, quando, das profundezas, uma baleia Bryde surgiu, engolindo tudo em seu caminho", disse Rainer Schimpf

Há vários dias, as imagens da desventura de um mergulhador sul-africano circulam na internet: ele escapou milagrosamente da morte na semana passada depois de ter sido brevemente engolido por uma baleia em Port Elizabeth (sul).

A Bíblia conta que o profeta Jonas passou três dias no ventre de uma baleia. Rainer Schimpf viveu a mesma experiência, mas apenas por alguns segundos. "Eu estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentam de sardinhas, quando, das profundezas, uma baleia Bryde surgiu, engolindo tudo em seu caminho", relatou à AFP o defensor do meio ambiente.

"Senti pressão ao redor da minha cintura, e soube imediatamente o que estava acontecendo", acrescentou. "Foi apenas uma questão de segundos antes que a baleia percebesse seu erro e abrisse a boca para me cuspir".

 

A esposa do mergulhador, Silke, e um fotógrafo observaram com horror e documentaram devidamente a cena.Em algumas imagens, apenas as pernas de Rainer schimpf aparecem para fora da boca do predador, um raro espécime de baleia Bryde, cetáceo que pode chegar a 15 m e que se alimenta de pequenos peixes e crustáceos.

Mal recuperado do susto, o mergulhador não hesitou antes de voltar ao mar. "Verificamos que o equipamento estava ok, que eu não tinha ossos quebrados, que tudo estava no lugar", disse ele, antes de adicionar com um grande sorriso: "adrenalina ao máximo, eu não queria perder essa sessão de mergulho, voltei para a água, dessa vez em busca de tubarões".

Schimpf, 51 anos e vinte de experiência e vários prêmios, é plenamente ciente dos riscos que corre. "Predadores como baleias ou tubarões vão com tudo sobre suas presas e muitas vezes nossa visibilidade é extremamente baixa", diz.

Mas fora de questão de desistir de sua missão. "Nossa determinação em garantir ao meio ambiente a maior atenção e proteção continua intacta". "E se eu renascer, gostaria que fosse na forma de uma baleia".

Enquanto espera por sua eventual reencarnação, sua interpretação involuntária de Jonas fez dele uma estrela nas redes sociais. As imagens de sua experiência já ultrapassaram a marca de três milhões no YouTube.

 

AF Agência France-Presse / Agencia Brasil

Um grupo de diretores de funerárias na África do sul disse que processará um autoproclamado profeta que afirmou ter ressuscitado um morto.

Um vídeo do pastor Alph Lukau, em que ele aparece gritando "levante-se" para um homem deitado em um caixão, que, em seguida, se ergue e é celebrado por fiéis, viralizou.

As empresas funerárias dizem que foram manipuladas a se envolverem na farsa organizada do lado de fora da igreja de Lukau, próximo a Joanesburgo. O caso foi ridicularizado e criticado por muitos no país.

"Não existem milagres", disse a Comissão para a Promoção e Proteção de Comunidades Culturais, Religiosas e Linguísticas à emissora estatal da África do Sul. "São tentativas de ganhar dinheiro com o desespero do nosso povo."

Funerárias alegam danos à sua reputação

Três empresas funerárias que dizem ter sido enganadas agora estão tomando medidas legais por danos à sua reputação.

"Supostos membros da família do falecido" disseram à Kings & Queens que tiveram um "conflito com um outro fornecedor de serviços funerários".

Os clientes também supostamente colocaram "adesivos da Black Phoenix em um carro particular" para parecerem críveis para a Kings & Queens quando foram contratar um carro fúnebre da empresa. O caixão, dizem os diretores de funerárias, foi adquirido da Kingdom Blue.

A igreja de Lukau, a Alleluia Ministries International, não respondeu ao pedido de comentários da BBC.

Caso gerou um debate nacional sobre falsos pastores

O site de notícias Sowetan relata que a igreja recuou em sua alegação de ter realizado uma ressurreição, dizendo que o "morto" já estava "vivo" quando foi levado ao local.

O pastor havia apenas "completado um milagre que Deus já havia realizado", disse a Alleluia Ministries International ao Sowetan.

O correspondente da BBC Milton Nkosi disse que o vídeo provocou um debate nacional sobre falsos pastores e foi amplamente criticado por grupos religiosos renomados.

No entanto, alguns sul-africanos usaram a hashtag #ResurrectionChallenge (#DesafioDaRessureição) nas redes sociais para tratar do caso de forma bem humorada.

Este é o caso mais recente a chamar atenção para líderes religiosos no país que dizem a suas congregações terem realizado feitos extraordinários.

No ano passado, um pastor sul-africano foi considerado culpado de agressão por ter pulverizado um inseticida doméstico sobre os fiéis alegando falsamente que isso poderia curar câncer e infecção pelo vírus HIV.

 

BBC

O número de crianças assassinadas durante a operação militar superou o de crianças mortas durante a operação Chumbo Fundida, A ofensiva teve um impacto catastrófico e trágico nas crianças.

Genebra – Os bombardeios do exército de Israel em Gaza deixaram 408 crianças mortas e 2.500 feridas, segundo a Unicef, que calcula em 370 mil o número de menores que necessitam urgentemente de ajuda psicológica.

“O número de crianças assassinadas durante a operação militar superou o de crianças mortas durante a operação Chumbo Fundida”, a última ofensiva israelense em Gaza, entre 2008 e 2009, na qual 350 menores morreram, afirmou Pernille Ironside, chefe da Unicef em Gaza.

 

“A ofensiva teve um impacto catastrófico e trágico nas crianças. Se levarmos em conta o que estes números representam para a população de Gaza, é como se tivessem morrido 200 mil crianças nos Estados Unidos”,

Ironside ressaltou que não há eletricidade e que os sistemas de água potável e saneamento não funcionam, por isso o perigo de doenças transmissíveis e de diarreia -que pode ser fatal em menores de cinco anos- é iminente.

“É preciso se levar em conta o tamanho da Faixa de Gaza, são 45 quilômetros de comprimento por entre seis e 14 de largura. Não há uma só família que não tenha sido diretamente afetada por alguma perda”, disse.

“A destruição é total. Usaram armamentos horríveis que provocam terríveis amputações. E isto se passou na frente dos olhos das crianças, que viram morrer seus amigos e seus pais”, afirmou a funcionária.

Por isso a Unicef calcula que 370 mil crianças necessitarão ajuda psicológica para superar o trauma.

“Levemos em conta que uma criança que tem sete anos já passou por três ofensivas, a de 2008-2009, a de 2012 e a de agora. Imaginem o impacto que isso pode ter tanto nas crianças menores como nas quais já entendem o que isso significa”, afirmou.

“Há pessoas que não têm acesso à água há várias semanas. Já se detectaram problemas de pele e tememos que apareçam casos de diarreia, o que só levaria a mais mortes de crianças”, lamentou.

Os bombardeios israelenses afetaram 142 escolas em Gaza, incluídas 89 da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), enumerou Ironside, que lembrou os ataques diretos a três colégios da ONU.

A funcionária disse que serão necessárias “centenas e centenas de milhões de dólares” para reconstruir o que foi destruído duas vezes, “embora desta vez tenha sido pior do que das outras duas juntas”.

“Quem pagará a fatura? De novo a comunidade internacional, ou será a força ocupante que perpetrou a destruição?”, questionou.

Para Ironside, o futuro das crianças em Gaza é “desalentador”.

“Ninguém deve se surpreender se algumas crianças palestinas tomarem um caminho mais extremo. É nossa responsabilidade evitar que isto ocorra”, concluiu.

 

Fonte: exame.abril

 A tia de Casey, Breanna Hathaway, acrescentou: “Ele disse que ficou dois dias com um urso.

Depois de dois dias desaparecido em uma floresta na Carolina do Norte com temperaturas que chegam aos – 6ºC, um menino foi encontrado e tinha uma história surpreendente para contar.

De acordo com o Metro Reino Unido, Casey Hathaway, de apenas 3 anos, relatou ao xerife do caso que “ele tinha um amigo urso na floresta que estava com ele”. A tia de Casey, Breanna Hathaway, acrescentou: “Ele disse que ficou dois dias com um urso. Deus enviou um amigo para mantê-lo seguro. Deus é um bom Deus. Milagres acontecem”.

 

Não foi confirmado se a criança realmente foi salva por um animal ou se ele estava imaginando, mas o local tem uma alta população de ursos negros.

FotoReprodução / Facebook
Fonte: metrojornal

 

Joana e Olavo decidiram ampliar a família que já contava com 16 filhos adotivos. Eles acolheram em casa seis irmãos com idades entre 5 e 14 anos, que passarão o primeiro Natal em um lar.

Para Juan, 14 anos, Yago, 12 anos, Evelin, 10 anos, Nathan, 7 anos, Natália, 7 anos, e Ana Paula, 5 anos, este será o primeiro Natal num lar, com pai e mãe, árvore decorada, ceia e presentes. Até Papai Noel passou pela nova casa, uma semana antes do dia 25.

Depois de viverem boa parte da infância em abrigos, os seis irmãos foram adotados neste ano por Joana Célia de Oliveira, 60 anos, e Olavo Borba, 73 anos. Ganharam uma família com mais 16 irmãos.

"Para nós, eles são nosso maior presente. É isso que eu quero que eles saibam neste Natal", diz Joana, sentada à mesa de uma sala de estar decorada com luzes e estrelas de papel – tudo feito pelas crianças e adolescentes da casa.

A professora aposentada nunca teve filhos biológicos. Ela e o marido, que é engenheiro e militar da reserva, passaram a vida acolhendo crianças e adolescentes sem família. Hoje, têm 22 filhos adotivos.

"É uma história que começa quando eu era pequenina e dizia que queria crescer, casar e ter muitos filhos. E que teria 24 filhos", contou Joana à BBC News Brasil.

A adoção dos seis irmãos por uma mesma família é um caso raríssimo, segundo a Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal, que intermediou o contato entre os seis irmãos e o casal.

A grande maioria das pessoas na fila de adoção só aceita crianças de até três anos e não quer irmãos. Joana e Olavo nunca fizeram exigências acerca da idade das crianças nem de laços familiares.

A princípio queriam adotar duas crianças ou adolescentes. Mas, quando foram informados de que poderiam escolher dois dentre seis irmãos, optaram por levar todos para casa. "Havia espaço no lar e no coração. Então, decidimos adotar os seis", explica Joana.

A BBC News Brasil conheceu a casa da família. Uma residência grande, projetada e construída por Olavo, numa região administrativa de Brasília. A sala é repleta de janelas abertas, que dão para árvores e jardins. Cada criança e adolescente tem um quarto – atualmente 14 moram lá e os outros oito já têm a própria casa.

Os seis irmãos recém-chegados já chamam Joana de mãe com naturalidade. "Essa mamãe é uma gracinha. É uma princesa", repete Ana Paula, de 5 anos.

A DECISÃO DE ADOTAR

Joana conta que tinha 29 anos quando descobriu um problema no endométrio que a impedia de engravidar. Seria possível tentar um tratamento, mas ela e o marido optaram pela adoção.

"Decidimos ter uma grande família de filhos do coração."

Antes da chegada dos seis irmãos, Joana e o marido adotaram ao longo dos anos 16 crianças e adolescentes. Hoje, todos eles têm mais de 18 anos- alguns estão concluindo o ensino médio, três estão na universidade e os outros já trabalham.

Foram Tatiane, 25 anos, Gabriel, 19 anos, e Camila, 22 anos, que convenceram os pais a fazerem uma última adoção.

"Nós estudamos ou trabalhamos o dia inteiro. A casa estava ficando vazia. Fomos percebendo a mãe mais triste e o pai também. Perguntamos a eles se não gostariam de ter mais filhos", relata Tatiane, que está concluindo a faculdade de pedagogia e sonha em ser diretora pedagógica numa escola do Distrito Federal.

Joana reagiu à proposta dizendo que estava "velha demais" e que não daria conta sozinha. Os filhos garantiram que ajudariam em cada passo da criação dos novos irmãos.

O PRIMEIRO ENCONTRO

Joana e Olavo se cadastraram em setembro de 2017 na fila de adoção do Distrito Federal. Em março de 2018, receberam a notícia de que seis irmãos estavam disponíveis e foram convidados a conhecê-los.

Ao falar sobre o primeiro encontro com os jovens, Joana se emociona. Preocupadas com as lágrimas da mãe, Natália e Ana Paula imediatamente a enchem de abraços e beijos.

"Eles estavam todos aguardando a chegada da gente no abrigo. Parecia que a gente já se conhecia. Até as técnicas e as psicólogas se admiraram, porque eles não sentiram receio de se aproximar, e as crianças de abrigo costumam ter dificuldade."

A professora aposentada conta que, no momento da despedida depois desse primeiro encontro, ficou aflita com os rostinhos das crianças, receosos de não terem "agradado".

"Disseram: 'Você não vai levar a gente? Não vai levar?'. E eu disse, 'ainda não, mas vamos estar juntos logo", diz ela, novamente emocionada.

O processo de adoção segue um padrão de aproximação progressiva que visa proteger tanto os pais quanto os filhos, com diversas visitas antes da mudança para o novo lar.

A CHEGADA À NOVA CASA

Dois meses depois do primeiro encontro, os seis irmãos se mudaram para a casa dos pais adotivos. Estava se iniciando a fase de convivência, que culminaria com a decisão final de adotar ou não.

Mas os laços se formaram rapidamente. "Os pequenos já começaram automaticamente a me chamar de mãe. O mais velho, de 14 anos, demorou duas semanas", diz Joana.

E como ela e o marido fazem para administrar uma casa com tanta gente?

Joana diz que cada um tem sua tarefa, como cuidar da própria roupa, arrumar o quarto, levar o prato para a cozinha. Também há uma escala para a faxina dos ambientes comuns da casa – cada pessoa limpa um cômodo.

O casal faz as compras do mês e uma funcionária cozinha durante a semana. No fim de semana e nas férias, todos participam do preparo das comidas.

Nas tarefas diárias, os mais velhos ajudam os mais novos, ensinando, por exemplo, como amarrar o tênis e arrumar a lancheira da escola.

"Fraternidade é a palavra. É um ajudando sempre ao outro, estando sempre disponível. A casa é o laboratório para o futuro, a vida", resume a mãe.

SUSTENTO DA FAMÍLIA

Muita gente pode se perguntar também como Joana e Olavo fazem para arcar com os custos da criação de 22 filhos. Ela explica que tudo é pago com o dinheiro da aposentadoria que recebe como professora e da remuneração do marido, que presta consultoria em engenharia e é militar da reserva.

As crianças e adolescentes estudam em escolas públicas, mas fazem curso de idiomas pagos pelos pais ou oferecidos por voluntários. Gabriel e Camila – ambos adotados quando já tinham mais de 10 anos – passaram no vestibular da Universidade de Brasília.

"A gente vive com simplicidade. Em vez de comprar na butique, compra no armazém. Em vez de viajar, passa férias aqui. Mas todos têm o que precisam", diz. "Os filhos quando vão crescendo vão se ocupando das suas vidas, trabalhando, investindo neles, em cursos, em trabalho. Financeiramente, o suporte é o pai e a mãe enquanto eles estiverem sem andar com os próprios pés."

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ADOÇÃO DE ADOLESCENTES

Joana e Olavo são exemplos raros, não apenas pelo número de filhos adotivos mas principalmente pelo fato de acolherem adolescentes.

No Brasil, oito em cada 10 interessados em adotar querem apenas bebês ou crianças de, no máximo, 5 anos. Mas 73,74% das crianças e adolescentes que buscam um novo lar têm entre 5 e 17 anos, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção.

Joana diz que considera a experiência de adotar uma criança mais velha ou um adolescente especial, porque a aproximação acontece por decisão de ambas as partes, não apenas pela vontade dos pais.

"A adoção tardia é a oportunidade maior como pai e mãe, porque um escolhe ao outro, porque um não é obrigado ao outro. Quando se executa o processo de adoção e ele termina, é porque ambas as partes quiseram", diz Joana.

É o que aconteceu quando ela adotou Tatiana e os quatro irmãos dela, há 12 anos. A jovem tinha 13 anos na época e diz que tinha "perdido as esperanças" de ter uma família.

"Eu sabia que as crianças menores é que tinham chance. Então, eu já estava me preparando para aprender tarefas domésticas, aprender a cozinhar, para ser empregada doméstica e conseguir me manter depois dos 18 anos", conta.

Mas tudo mudou quando, num dia qualquer, ela avistou Joana chegando ao abrigo. "Quando eu vi minha mãe, quando eu olhei para ela, eu senti vontade de chegar, dar um pulo nela, abraçar bem forte e dizer: 'você é minha mãe"", conta.

Joana diz que, assim que conheceu a menina e os irmãos, sentiu que poderia amá-los como filhos. "Ela voltou com meu pai um tempo depois e eles disseram: 'A gente quer muito que vocês sejam nossos filhos, mas claro que só se vocês quiserem nos ter como pais'. E a gente, 'claro que sim!"", diz Tatiane.

O AMOR QUE SE CONSTRÓI

Segundo Joana, o processo de adoção tem momentos bastante difíceis e é importante procurar aconselhamento e ajuda dos psicólogos da Vara da Infância quando necessário.

"A primeira lição é que você não é perfeita. Você tem que se adequar à chegada deles. É difícil para eles como é difícil para nós. O primeiro mês não é simples. Eles ficam eufóricos, e você está tentando mostrar para eles a rotina da casa, o encaminhamento."

Segundo ela, o amor dos filhos pelos pais e dos pais pelos filhos vai se fortalecendo com o convívio.

"É um crescimento humano e de amor. É uma oportunidade ímpar de conviver verdadeiramente com outro ser humano sem exigir que ele te ame. Você trabalha para construir essa convivência, essa ponte de amor", diz.

Ao final da entrevista, quando é convidada a falar sobre o que os 22 filhos "do coração" representam para ela, as palavras parecem faltar. "Eu não consigo imaginar a minha vida sem os meus filhos. Para mim, felicidade é isso aqui."

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Por Nathalia Passarinho - Da BBC News Brasil

 

Joana e Olavo decidiram ampliar a família que já contava com 16 filhos adotivos. Eles acolheram em casa seis irmãos com idades entre 5 e 14 anos, que passarão o primeiro Natal em um lar.

Para Juan, 14 anos, Yago, 12 anos, Evelin, 10 anos, Nathan, 7 anos, Natália, 7 anos, e Ana Paula, 5 anos, este será o primeiro Natal num lar, com pai e mãe, árvore decorada, ceia e presentes. Até Papai Noel passou pela nova casa, uma semana antes do dia 25.

Depois de viverem boa parte da infância em abrigos, os seis irmãos foram adotados neste ano por Joana Célia de Oliveira, 60 anos, e Olavo Borba, 73 anos. Ganharam uma família com mais 16 irmãos.

"Para nós, eles são nosso maior presente. É isso que eu quero que eles saibam neste Natal", diz Joana, sentada à mesa de uma sala de estar decorada com luzes e estrelas de papel – tudo feito pelas crianças e adolescentes da casa.

A professora aposentada nunca teve filhos biológicos. Ela e o marido, que é engenheiro e militar da reserva, passaram a vida acolhendo crianças e adolescentes sem família. Hoje, têm 22 filhos adotivos.

"É uma história que começa quando eu era pequenina e dizia que queria crescer, casar e ter muitos filhos. E que teria 24 filhos", contou Joana à BBC News Brasil.

A adoção dos seis irmãos por uma mesma família é um caso raríssimo, segundo a Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal, que intermediou o contato entre os seis irmãos e o casal.

A grande maioria das pessoas na fila de adoção só aceita crianças de até três anos e não quer irmãos. Joana e Olavo nunca fizeram exigências acerca da idade das crianças nem de laços familiares.

A princípio queriam adotar duas crianças ou adolescentes. Mas, quando foram informados de que poderiam escolher dois dentre seis irmãos, optaram por levar todos para casa. "Havia espaço no lar e no coração. Então, decidimos adotar os seis", explica Joana.

A BBC News Brasil conheceu a casa da família. Uma residência grande, projetada e construída por Olavo, numa região administrativa de Brasília. A sala é repleta de janelas abertas, que dão para árvores e jardins. Cada criança e adolescente tem um quarto – atualmente 14 moram lá e os outros oito já têm a própria casa.

Os seis irmãos recém-chegados já chamam Joana de mãe com naturalidade. "Essa mamãe é uma gracinha. É uma princesa", repete Ana Paula, de 5 anos.

A DECISÃO DE ADOTAR

Joana conta que tinha 29 anos quando descobriu um problema no endométrio que a impedia de engravidar. Seria possível tentar um tratamento, mas ela e o marido optaram pela adoção.

"Decidimos ter uma grande família de filhos do coração."

Antes da chegada dos seis irmãos, Joana e o marido adotaram ao longo dos anos 16 crianças e adolescentes. Hoje, todos eles têm mais de 18 anos- alguns estão concluindo o ensino médio, três estão na universidade e os outros já trabalham.

Foram Tatiane, 25 anos, Gabriel, 19 anos, e Camila, 22 anos, que convenceram os pais a fazerem uma última adoção.

"Nós estudamos ou trabalhamos o dia inteiro. A casa estava ficando vazia. Fomos percebendo a mãe mais triste e o pai também. Perguntamos a eles se não gostariam de ter mais filhos", relata Tatiane, que está concluindo a faculdade de pedagogia e sonha em ser diretora pedagógica numa escola do Distrito Federal.

Joana reagiu à proposta dizendo que estava "velha demais" e que não daria conta sozinha. Os filhos garantiram que ajudariam em cada passo da criação dos novos irmãos.

O PRIMEIRO ENCONTRO

Joana e Olavo se cadastraram em setembro de 2017 na fila de adoção do Distrito Federal. Em março de 2018, receberam a notícia de que seis irmãos estavam disponíveis e foram convidados a conhecê-los.

Ao falar sobre o primeiro encontro com os jovens, Joana se emociona. Preocupadas com as lágrimas da mãe, Natália e Ana Paula imediatamente a enchem de abraços e beijos.

"Eles estavam todos aguardando a chegada da gente no abrigo. Parecia que a gente já se conhecia. Até as técnicas e as psicólogas se admiraram, porque eles não sentiram receio de se aproximar, e as crianças de abrigo costumam ter dificuldade."

A professora aposentada conta que, no momento da despedida depois desse primeiro encontro, ficou aflita com os rostinhos das crianças, receosos de não terem "agradado".

"Disseram: 'Você não vai levar a gente? Não vai levar?'. E eu disse, 'ainda não, mas vamos estar juntos logo", diz ela, novamente emocionada.

O processo de adoção segue um padrão de aproximação progressiva que visa proteger tanto os pais quanto os filhos, com diversas visitas antes da mudança para o novo lar.

A CHEGADA À NOVA CASA

Dois meses depois do primeiro encontro, os seis irmãos se mudaram para a casa dos pais adotivos. Estava se iniciando a fase de convivência, que culminaria com a decisão final de adotar ou não.

Mas os laços se formaram rapidamente. "Os pequenos já começaram automaticamente a me chamar de mãe. O mais velho, de 14 anos, demorou duas semanas", diz Joana.

E como ela e o marido fazem para administrar uma casa com tanta gente?

Joana diz que cada um tem sua tarefa, como cuidar da própria roupa, arrumar o quarto, levar o prato para a cozinha. Também há uma escala para a faxina dos ambientes comuns da casa – cada pessoa limpa um cômodo.

O casal faz as compras do mês e uma funcionária cozinha durante a semana. No fim de semana e nas férias, todos participam do preparo das comidas.

Nas tarefas diárias, os mais velhos ajudam os mais novos, ensinando, por exemplo, como amarrar o tênis e arrumar a lancheira da escola.

"Fraternidade é a palavra. É um ajudando sempre ao outro, estando sempre disponível. A casa é o laboratório para o futuro, a vida", resume a mãe.

SUSTENTO DA FAMÍLIA

Muita gente pode se perguntar também como Joana e Olavo fazem para arcar com os custos da criação de 22 filhos. Ela explica que tudo é pago com o dinheiro da aposentadoria que recebe como professora e da remuneração do marido, que presta consultoria em engenharia e é militar da reserva.

As crianças e adolescentes estudam em escolas públicas, mas fazem curso de idiomas pagos pelos pais ou oferecidos por voluntários. Gabriel e Camila – ambos adotados quando já tinham mais de 10 anos – passaram no vestibular da Universidade de Brasília.

"A gente vive com simplicidade. Em vez de comprar na butique, compra no armazém. Em vez de viajar, passa férias aqui. Mas todos têm o que precisam", diz. "Os filhos quando vão crescendo vão se ocupando das suas vidas, trabalhando, investindo neles, em cursos, em trabalho. Financeiramente, o suporte é o pai e a mãe enquanto eles estiverem sem andar com os próprios pés."

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ADOÇÃO DE ADOLESCENTES

Joana e Olavo são exemplos raros, não apenas pelo número de filhos adotivos mas principalmente pelo fato de acolherem adolescentes.

No Brasil, oito em cada 10 interessados em adotar querem apenas bebês ou crianças de, no máximo, 5 anos. Mas 73,74% das crianças e adolescentes que buscam um novo lar têm entre 5 e 17 anos, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção.

Joana diz que considera a experiência de adotar uma criança mais velha ou um adolescente especial, porque a aproximação acontece por decisão de ambas as partes, não apenas pela vontade dos pais.

"A adoção tardia é a oportunidade maior como pai e mãe, porque um escolhe ao outro, porque um não é obrigado ao outro. Quando se executa o processo de adoção e ele termina, é porque ambas as partes quiseram", diz Joana.

É o que aconteceu quando ela adotou Tatiana e os quatro irmãos dela, há 12 anos. A jovem tinha 13 anos na época e diz que tinha "perdido as esperanças" de ter uma família.

"Eu sabia que as crianças menores é que tinham chance. Então, eu já estava me preparando para aprender tarefas domésticas, aprender a cozinhar, para ser empregada doméstica e conseguir me manter depois dos 18 anos", conta.

Mas tudo mudou quando, num dia qualquer, ela avistou Joana chegando ao abrigo. "Quando eu vi minha mãe, quando eu olhei para ela, eu senti vontade de chegar, dar um pulo nela, abraçar bem forte e dizer: 'você é minha mãe"", conta.

Joana diz que, assim que conheceu a menina e os irmãos, sentiu que poderia amá-los como filhos. "Ela voltou com meu pai um tempo depois e eles disseram: 'A gente quer muito que vocês sejam nossos filhos, mas claro que só se vocês quiserem nos ter como pais'. E a gente, 'claro que sim!"", diz Tatiane.

O AMOR QUE SE CONSTRÓI

Segundo Joana, o processo de adoção tem momentos bastante difíceis e é importante procurar aconselhamento e ajuda dos psicólogos da Vara da Infância quando necessário.

"A primeira lição é que você não é perfeita. Você tem que se adequar à chegada deles. É difícil para eles como é difícil para nós. O primeiro mês não é simples. Eles ficam eufóricos, e você está tentando mostrar para eles a rotina da casa, o encaminhamento."

Segundo ela, o amor dos filhos pelos pais e dos pais pelos filhos vai se fortalecendo com o convívio.

"É um crescimento humano e de amor. É uma oportunidade ímpar de conviver verdadeiramente com outro ser humano sem exigir que ele te ame. Você trabalha para construir essa convivência, essa ponte de amor", diz.

Ao final da entrevista, quando é convidada a falar sobre o que os 22 filhos "do coração" representam para ela, as palavras parecem faltar. "Eu não consigo imaginar a minha vida sem os meus filhos. Para mim, felicidade é isso aqui."

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Por Nathalia Passarinho - Da BBC News Brasil
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