Esportes (355)

 

Os grandes clubes nacionais seguem a questionar o espaço no calendário reservado aos Estaduais, que por conta dos fracos públicos lhes fazem perder dinheiro. Mas as federações não têm do que reclamar: seus faturamentos só têm aumentado justamente por conta dessas competições.
 
O UOL Esporte fez um levantamento sobre os balanços de cinco das principais entidades estaduais do país (na foto, a sede da Federação Paraibana de Futebol - FPF) e todas tiveram ganhos extras em 2012 em relação ao ano anterior. A maioria também teve queda na presença de público em seus campeonatos.
 
Um exemplo é a FPF (Federação Paulista de Futebol), cuja receita aumentou em 20% e atingiu um total de R$ 30,9 milhões. O crescimento da renda é maior justamente nos itens campeonatos e comerciais, que são oriundos do Paulistão.
 
É o maior faturamento entre todas as federações. A média de público - embora seja uma das maiores dos seus pares - está longe de empolgar, girando em torno de 6 mil pessoas por jogo. É menos da metade do Campeonato Brasileiro.
 
"Nosso Estadual só tem contratos melhores a cada ano. Enquanto o Estadual pagar bem, não tem porque mudar. É sinal de que vale para a televisão. Isso só sobe. Ninguém paga o que não vale", afirmou o presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, que só admite uma revisão para 2014, com a redução de duas datas, por conta da Copa.
 
Em proporções menores, Pernambuco vive realidade parecida: a federação ganha mais a cada ano, mas o Estadual teve queda no público. A federação ganhou R$ 4,8 milhões no último ano, contra R$ 3,1 milhões em 2011. O aumento de renda tem relação com o futebol e também com medidas administrativas.
 
"Alugamos uma parte da sede que foi modernizada. Mas também crescemos porque temos os melhores contratos de Estaduais no Nordeste, com a Coca-Cola como patrocinadora e a Globo na televisão. Ainda obtivemos apoios locais da economia, que está em ebulição", contou o presidente da federação pernambucana, Evandro Carvalho.
 
O público do Estadual era o melhor do país em 2012 com cerca de 9 mil, mas isso graças ao programa de nota fiscal que prevê que os torcedores possam trocar notas por ingressos. Mesmo com a manutenção desse programa, em 2013 houve queda na média. O campeonato também foi reduzido para 12 datas só para os times grandes, o que abriu datas para a Copa do Nordeste.
 
"Já esperávamos essa queda. Mudamos a fórmula do campeonato. Reduziu em seis clássicos no campeonato. Era um sacrifício pela Copa do Nordeste", defendeu Evandro Carvalho. Mas os clássicos realizados até agora tiveram públicos pouco empolgantes, a maioria com menos de 20 mil pessoas.
 
Em Minas Gerais, houve, sim, um crescimento de público, muito resultante das boas campanhas de Atlético-MG e Cruzeiro e principalmente pela reabertura de grandes estádios no Estado. O Mineirão recebeu a empolgação do público com o clássico de abertura. E o Galo tem aproveitado o Independência. Assim, houve um salto de 3.581 para algo em torno de 5.500. Além disso, o campeonato enxuto aumentou a média.
 
"A torcida está em lua de mel por conta dos estádios", explicou o presidente da federação mineira, Paulo Schettino, que ressalva que o campeonato enxuto também ajuda o público. "Temos 17 datas, com 12 clubes. Minha percepção é que tendo menos jogos aumenta a média de público."
 
A renda da federação, no entanto, já vem aumentando desde o ano passado, mesmo com públicos baixos. Tanto que teve um crescimento de cerca de 27% em sua receita para 2012, atingindo R$ 7 milhões. "Temos o contrato da Chevrolet, que já houve manifestação pela renovação. A federação ainda ganha 10% da renda dos jogos dos estaduais, e mais 8,5% no interior", explicou o presidente da federação mineira, Paulo Schettino.
 
Ressalte-se que a média de público, com o crescimento, ainda está bem abaixo do Nacional. Muito mais abaixo estão as médias de campeonatos como o Gaúcho e o do Rio de Janeiro.
 
No Rio, o público patina em pouco mais de 2 mil de média em 2012. Nem por isso as rendas de sua federação deixaram de crescer, embora em ritmo menor do que seus pares. Em 2012, a receita atingiu R$ 12,5 milhões, cerca de R$ 500 mil a mais do que em 2011. O crescimento é próximo do índice de inflação. É resultante do contrato de publicidade do campeonato que saltou para R$ 1,5 milhão, valor que, antes, era R$ 620 mil.
 
O caso do Rio Grande do Sul é mais emblemático. Sua média de público é ainda mais baixa, em torno de 2.200. Mesmo assim, a federação teve aumento da receita com novos contratos como apontou seu presidente Francisco Noveletto.
 
"A receita vem em cima de patrocínio da Chevrolet, das placas, Globo e RBS. Fiz contrato também com uma farmácia. Até hoje podem querer me dizer o que fazer com a bola que eu não sei, mas sou comerciante. Sei vender", contou Noveletto.
 
Segundo ele, a queda na média de público deve-se ao fechamento do Beira-Rio e aos problemas ocorridos na Arena do Grêmio. Isso porque, contou o cartola, o Internacional teve que jogar em até seis estádios pelo interior. Mas ele admitiu que há outros fatores.
 
"A TV vende um pacote de R$ 50,00 que dá para assistir todo o Estadual. Fica difícil de o cara ter que pagar R$ 50,00 para o guardador, mais cachorro quente...Olha o Nacional, também caiu", argumentou o dirigente gaúcho, que também ressalta que, no interior, são vendidos pacotes para torcedores.
 
O Campeonato Baiano também patina na média de público até a entrada de Bahia e Vitória, que disputavam a Copa Nordeste. Conseguiu encher estádio com a inauguração da Fonte Nova, que lotou e teve disputa por ingressos. Sua média em 2012 era de apenas 4 mil. É possível um crescimento com o novo estádio, mas não será muita porque a primeira fase mal atingia mil torcedores por jogo.
 
Nem por isso a renda da Federação Bahiana é prejudicada. De 2011 para 2012, saltou para R$ 4,3 milhões, um crescimento em torno de um quarto. Nenhuma dessas federações está livre de dívidas - algumas muito altas. Mas, ao contrário de grandes empresas de mercados, as entidades aumentam suas receitas mesmo que seus produtos estejam longe de ser sucessos.

 

A máxima de que o esporte é feito para socializar foi levada a sério pelo paulista Rafael Rodrigues (foto) após sofrer um grave acidente na adolescência. Mas agora, aos 34 anos, o momento é outro: competitividade, busca por vitórias e show para o público.
 
É assim que ele encara a disputa de um cinturão de MMA para cadeirantes, em um evento pioneiro desse tipo. "Quero lutar pra que as pessoas sintam vontade de me ver lutando de novo. Vou tentar dar show", falou ele ao UOL Esporte.
 
O atleta das artes marciais mistas tem uma bonita história de superação. Rafael sofreu um acidente aos 17 anos, quando trabalhava com seu pai em uma serralheria. Uma das paredes do estabelecimento caiu sobre seu corpo e o soterrou. Acabou quebrando a coluna e ficou paraplégico.
 
Usou o esporte na busca da socialização. Chegou a jogar basquete para cadeirantes e também praticou o ciclismo com bicicleta adaptada para deficientes. Mas foi a disciplina das artes marciais que o conquistou.
 
Há quase três anos, foi convidado por um de seus preparadores físicos nos tempos do ciclismo para conhecer o jiu-jitsu. Ficou receoso no começo, mas após muita insistência decidiu tentar. Se apaixonou e virou um faixa azul. Tentou montar uma categoria para deficientes, mas não vingou. Ele venceu o único deficiente que também era praticante. Mas, depois, o rival decidiu abandonar a competição.
 
Rafael então passou a disputar combates contra atletas que não são deficientes, conseguindo até vitórias. "As pessoas na arquibancada se surpreendiam. Até meus adversários se surpreendiam. Quando chamavam pra pesagem, pra luta, as pessoas não conheciam o adversário. Aí eles viam um atleta encostando a cadeira de rodas e pensavam ´é com esse cara que vou lutar?´. É engraçado", falou.
 
"O jiu-jitsu melhorou meu autocontrole, disciplina e alimentação. Tenho mais calma e evito ao máximo confronto com as pessoas, não discuto no trânsito, por exemplo. A arte marcial respeita o próximo e é uma questão bem educacional. Me considero um cara bem mais tranquilo", continuou.
 
Enquanto fazia suas lutas no jiu-jitsu, praticava de maneira menos intensa o boxe. Até que viu na TV uma matéria sobre uma categoria de boxe para cadeirantes na Inglaterra. Foi atrás da organização do evento e descobriu que havia uma intenção dos dirigentes de criar a primeira competição de MMA para deficientes.
 
Enviou seu currículo, se empolgou e passou a treinar trocação com mais intensidade. Rafael foi bem avaliado pelos organizadores por seu histórico de lutas contra pessoas sem deficiência e contratado para já fazer a luta que valerá o cinturão da categoria até 70 kg do evento chamado "Wheeled Warriors" (Guerreiros sobre rodas, em português). Fez um contrato de cinco combates e disputa o título contra o francês Ludovic Marchand, no segundo semestre, ainda sem data definida.
 
É previsto na modalidade, que  fará neste combate sua estreia, que os lutadores comecem nas cadeiras de rodas com a trocação por cima. É possível então que algum combatente tente colocar a luta para baixo jogando o oponente e sua cadeira para o chão. Depois disso, os árbitros interrompem o embate, e as cadeiras são retiradas. Os oponentes então ficam posicionados para uma luta de jiu-jitsu.
 
"Da mesma forma que pegam na perna e levantam o cara [no MMA], eu pego na cadeira e vou jogar o cara no chão.  É isso que vou fazer. Caiu com a cadeira. Depois tiram as cadeiras e a luta se desenvolve pro chão. O juiz para a luta e continua na mesma posição", explicou.
 
O oponente francês foi escolhido para decidir o título diretamente por seu bom histórico no boxe. Rafael já armou a  tática para o combate e quer levar o rival para baixo, onde é mais forte, para usar seu jiu-jitsu e tentar a finalização.
 
"O que eu conheço dele é que é um cara forte, com mão pesada e tem boxe afiado. Estou trabalhando a trocação pra jogar de igual. Tenho jiu-jitsu mais apurado do que o dele, é bem forte. A estratégia é trocar o máximo que der e levar a luta pro chão."
 
Contrário ao estilo "amarrão", Rafael quer empolgar o público para que o esporte cresça. Quer dar show.  "Vou trocar bastante, que é o que o públiuco gosta de ver. Vou fazer uma guerra. Não vai ser luta amarrada. Ele é forte e estou me preparando pra uma guerra na jaula. Garanto que essa luta será falada por muito tempo. Vitória não dá para garantir, mas garanto que vou dar meu máximo e tentar dar show."
 
Reviravolta e sonho de viver só da luta
 
Rafael conta que nos primeiros dias após o acidente foi difícil de se aceitar como deficiente. Não tinha motivação para o processo de recuperação e ficou uma pessoa revoltada. "Quando eu cheguei na AACD, estava muito revoltado e não aceitava minha condição de cadeirante. Eu estava bem depressivo, bem mal mesmo. Fiquei de mal comigo", lembra.
 
Até que um dia na AACD viu um deficiente tetraplégico e que não conseguia coçar o nariz por não ter movimento nos braços. A partir desse dia decidiu se motivar para a nova vida. "Ele mexia só o pescoço e pediu pra mãe coçar o nariz. Comecei a conversar com Deus e pedir perdão por ser revoltado e agradeci por ter aqueles dois braços", lembra.
 
Apesar da bela história, prefere não se rotular como um exemplo de superação. "Sou como todo mundo, um cara que tem qualidades e também defeitos."
 
Rafael é hoje casado e tem dois filhos. Formou-se em processamento de dados e trabalha em uma instituição financeira no ABC paulista. Mas seu sonho é conseguir viver exclusivamente das lutas.
 
Diz que não chega a colocar dinheiro do bolso para lutar por já ter patrocinadores, mas que o que tem de apoio ainda não é suficiente para viver só dos combates. "Meu objetivo é depois da luta do cinturão, trazer o título e correr atrás de patrocínio para quem sabe poder viver apenas da luta."

 

O calor de 24 ºC, as brincadeiras a caminho do vestiário e o estúdio armado na recepção do Camp des Loges, o centro de treinamento do Paris Saint-Germain, para as fotos de uma campanha publicitária sugerem um dia na normal na vida do clube. Nos bastidores, porém, a equipe francesa lida com uma série de questões espinhosas, dos rumores da saída do diretor esportivo Leonardo a uma possível ida do treinador Carlo Ancelotti para o Real Madrid. Certo mesmo só o o fato de que encerrar a temporada como o iminente título da Liga Francesa trará ainda mais pressão para que o PSG justifique de forma mais substancial a montanha de dinheiro despejada sobre o clube desde sua aquisição pelo governo do Catar.

Qualquer mudança de circunstâncias terá impacto especial sobre Thiago Silva (foto acima). Contratado em julho do ano passado por 42 milhões de euros, na mais cara transação já evolvendo um zagueiro, o brasileiro desembarcou em Paris debaixo de expectativas diferenciadas, num momento em que a chegada maciça de reforços criava algum desconforto entre o contingente doméstico do PSG.

Um contexto que Thiago não imaginava encontrar quando aceitou deixar o Milan e Milão, o clube e a cidade que formavam sua zona de conforto. Mas na entrevista concedida ao UOL Esporte em Camp de Loges, o zagueiro conta ter estranhado muito mais a rispidez dos garçons parisienses que o apoio na administração de egos no PSG.

 

UOL Esporte: A temporada de 2012-13 foi intensa para você tanto no clube como na seleção. Qual a sua avaliação?
 

Thiago Silva: Estou voltando a minha melhor fase. No campo, comecei bem a temporada, mas tive lesões em janeiro, uma delas que me tirou de campo mais de um mês, o que me deixou triste. O PSG está perto de conquistar o Cameponato Francês pela primeira vez desde 1994 e jogou de igual de igual com o Barcelona. Saiu de cabeça erguida da Liga dos Campeões. Mas fora do campo meu início de temporada foi complicado em termos de adaptação à mudança de clube, cidade, e mesmo pessoas. Houve algumas dificuldades.

 

UOL Esporte: É tão diferente assim a França da Itália?
 

Thiago Silva: Muito. O povo é mais frio, a gente vai num restaurante ou numa loja e se a pessoa não te reconhece o tratamento é outro. Em Milão eu estava muito mais à vontade, independentemente de ser ou não o Thiago Silva.

 

UOL Esporte: Mas essa rispidez é uma característica de Paris, o resto da França é mais simpático...
 

Thiago Silva: É, o Michel [Bastos, que jogou durante muito tempo no Lyon] já tinha me falado que é uma coisa mais da cidade, mas eu fico pensando que, para um lugar turístico, as pessoas podiam ter um pouco mais de sensibilidade. Mas a torcida dá muito carinho. Toda vez que saio com o carro do centro de treinamento tem um ou outro dizendo que sou o melhor zagueiro do mundo (risos).

 

UOL Esporte: O quão difícil foi sair da zona de conforto em Milão?  E escolher Paris quando o Barcelona batia à porta?
 

Thiago Silva: A decisão de sair foi difícil porque tinha uma vida muito boa em Milão com a minha família. Vários clubes estavam interessados, mas chegou um momento da negociação em que o Leo (o diretor-esportivo do PSG, Leonardo), conseguiu me convencer como fez quando fui para Milan. Acreditei no projeto do PSG. Não vi como risco, mas sim a chance de jogar numa outra escola de futebol.

 

UOL Esporte: Você acredita que a torcida pode ficar um pouco menos amigável caso o time não chegue mais perto do título da Liga dos Campeões em 2014?
 

Thiago Silva: A cobrança já foi grande este ano. A torcida pegou no pé da gente em alguns jogos porque sabe da qualidade dos jogadores. Sabemos que vamos precisar render mais, chegar mais perto do título da Liga dos Campeões, até por conta do investimento que foi feito no clube. Todo mundo aqui está ciente das responsabilidades que têm.

 

UOL Esporte: Mais reforços são necessários?

Thiago Silva: No meu modo de ver, nosso time é bom, mas talvez tenha uma ou duas peças faltando. Levamos aquele timaço deles (Barcelona) até o limite. Mas acho que o PSG ainda oscila muito nas partidas. O clube tem gente para lidar com isso, não sou eu que vou fazer esse trabalho.

 

UOL Esporte: Em alguns jogos da Liga dos Campeões, você foi visto falando muito com os companheiros. Já está dominando o francês assim?
 

Thiago Silva: Ainda não falo, mas a linguagem do futebol é simples. Fiz questão de aprender logo o que era esquerda e direita, porque aí eu conseguia fazer coisas mais simples e inclusive orientar meus volantes. Comecei a fazer aula, mas perdi a vontade. Agora preciso voltar, estou numa função que obrigada a me comunicar bem. O presidente (do PSG) Nasser Al-Khelaifi me pediu para voltar a estudar.

 

UOL Esporte: Você foi promovido a capitão como novato no clube, ocupando o posto que pertencia a um dos jogadores franceses, o lateral Jallet...
 

Thiago Silva: A coisa mais normal que os jogadores franceses poderiam sentir é um pouco de desconforto com um monte de estrangeiros chegando. O Jajá era o capitão, mas não ia ser titular e o Ancelotti me disse horas antes de um jogo que gostaria de me ver com a braçadeira. Aceitei, mas fiquei com aquilo na cabeça, com medo que os caras achassem que eu tinha forçado a barra para ficar como capitão. Hoje nosso grupo é muito mais forte, a gente se dá muito bem, mas no começo precisamos todos pegar confiança uns nos outros.

 

UOL Esporte: Ser capitão não era uma pressão a mais para quem chegou com o peso de ser o zagueiro mais caro do mundo?

Thiago Silva: Sou meu maior cobrador. Sei muito bem que sou o zagueiro mais caro do mundo e vou te dizer que não é algo fácil de lidar. Claro que procuro sempre ficar tranquilo dentro de campo, pensar no meu trabalho, mas é claro que a questão fica martelando na minha cabeça. Eu simplesmente não posso errar mais que os outros, ou mesmo errar.

 

UOL Esporte:  Como você avalia a chegada do Lucas?
 

Thiago Silva: Parece que ele já está aqui há dois anos. Sei como é difícil sair do país. Eu que mudei do futebol italiano para o francês já senti uma diferença grande, imagina um garoto que veio do Brasil. Nos primeiros treinos, ele ainda estava meio desajeitado e estranhou um pouco a velocidade do jogo, mas na primeira partida parecia que já estava na Europa há anos. Sinceramente, eu não esperava.

 

UOL Esporte: O Lucas é um exemplo de como de repente ficar no Brasil não é a melhor coisa para o Neymar?
 

Thiago Silva: A transição do Brasil para a Europa é difícil. O  que o Lucas  fez foi é comum. Precisa do apoio da comissão técnica e do grupo, e o Lucas ele teve isso desde o começo no PSG, sentiu-se em casa. Em outro clube, talvez não fosse a mesma coisa. As pessoas precisam tem um pouco mais de paciência com o Neymar. Falam muita bobagem. O momento agora é de apoiá-lo. O garoto começou bem a carreira, mas os adversários observam muito ele e colocam a marcação mais próximas. É o que ele vai encontrar quando vier para a Europa.

 

UOL Esporte: O Lucas é exceção também no tipo de jogador brasileiro requisitado hoje em dia no exterior. Os zagueiros brasileiros é que estão em alta, não? Você, David Luiz, Dante...
 

Thiago Silva: As pessoas falam muito que o Brasil não cria mais grandes jogadores do meio para frente. Isso não é verdade no meu modo de ver. Os zagueiros estão  em evidência porque estão na Europa já há algum tempo. Houve renovação grande do meio para frente no Brasil e as nossas estrelas ofensivas são os garotos que jogam no Brasil. Mas isso é bom. Deixa a Europa prestar atenção os zagueiros para a meninada surpreendê-los.

 

 

A péssima campanha no Campeonato Estadual não fará o Flamengo enfiar mais fundo a mão no bolso. Para contratar reforços de renome internacional, como o atacante Robinho, com o qual a diretoria retomou as conversas, só através de parceiros. É o que garantiu o vice de futebol Wallim Vasconcelos (foto), que fez uma aparição rara e surpreendente ontem no CT de Vargem Grande.

— A gente só pode trazer estrela se tiver patrocinador. É óbvio que trabalhamos com essa hipótese. Encontrei com o dirigente do Milan em dezembro para tratar do Robinho e não tinhamos condições de aceitar os valores. Não deve ter mudado. Não conversamos com ninguém — desconversou o dirigente.

A negociação está a cargo do empresário Eduardo Uram, que representa Robinho no Brasil. A demanda do Flamengo ao agente se estende a passar detalhes sobre o zagueiro Roger Carvalho, do Bologna, que atuou com o técnico Jorginho no Figueirense em 2011.

Para não desfalcar os cofres, Wallim admite observar com carinho o mercado sul-americano, e tentar preencher as lacunas do time para o Campeonato Brasileiro, sobretudo na lateral-direita e no ataque.

Já está definido que, depois do Estadual, o tempo será usado para preparação fora do Rio, provavelmente em Atibaia, interior de São Paulo, com direito a amistosos. O clube também estuda uma viagem internacional no período da Copa das Confederações.

Até lá, a tendência é que alguns jogadores do atual elenco acabem negociados. Mas Wallim negou que haja uma lista em preparação. Disse ainda que atletas como de Ibson e Alex Silva seguem nos planos. Mas levantou o tom quando à postura do time em campo.

— Disse a eles que só vão reverter a situação suando sangue. A torcida tem razão. Quer raça, jogador correndo, lutando — esbravejou Wallim, marcando a postura da diretoria de forma bastante calculada.

A pressão e a cobrança se estenderam ao técnico Jorginho. Wallim aceitou a justificativa da falta de tempo só para o vexame na Taça Rio. — Já falei para o Jorginho que agora não tem mais desculpa, o time tem que estar voando no Brasileiro — avisou.

 

Na Itália, Robinho reitera o deseja de vestir a camisa do Flamengo

 

Robinho acompanha de longe, mas reitera o seu desejo de jogar pelo Flamengo

 

 

Robinho já sabe que o Flamengo voltou a sonhar com sua contratação e deu novamente o sinal verde. O atacante reiterou ontem, por meio de interlocutores, o desejo de jogar voltar a atuar no Brasil, e pelo Rubro-negro.

A diretoria do Flamengo mantém o silêncio nessa nova fase de negociações, mas sabe que precisa agir com mais ousadia em relação à primeira tentativa de contratar o jogador, em dezembro de 2012.

O objetivo de reorganizar o clube financeiramente a partir da posse do presidente Eduardo Bandeira de Mello foi parcialmente atingido.Assim, o investimento expressivo programado para o meio do ano — na reabertura da janela de transferências internacionais — não agrediria tanto os cofres do clube.

Os obstáculos no momento passam pelo mercado que Robinho ainda tem na Europa e a concorrência de clubes brasileiros, entre eles o Santos, com o qual o jogador tem identificação.

Ao comunicar a desistência na contratação, em dezembro, a diretoria alegou que o valor pedido estava acima do que o clube poderia se comprometer a pagar, e as conversas não avançaram.

Desta vez, com a pressão por resultados e pela chegada de reforços expressivos, o Flamengo espera reunir recursos através de novos patrocinadores e do programa de sócio-torcedor.

A vontade de Robinho não é problema. Com contrato até o meio de 2014, o atacante aceitaria ter reduzir seus vencimentos, hoje na casa de R$ 1 milhão por mês, em troca de visibilidade na disputa por vaga na seleção que vai disputar a Copa do Mundo no Brasil. O empresário Eduardo Uram já tem autorização para dar andamento às negociações.

 

O pivô Jason Collins (foto), que defendeu o Boston Celtics e o Washington Wizards na última temporada, tornou-se o primeiro atleta em atividade em uma grande liga dos Estados Unidos a se assumir gay. Em artigo que sairá na edição de maio da revista Sports Illustrated, o jogador se diz aliviado por poder assumir sua sexualidade e espera superar o preconceito para seguir atuando na NBA.

"Não tive a intenção de ser o primeiro atleta assumidamente gay a jogar em uma grande equipe do esporte norte-americano. Mas, uma vez que eu seja, fico feliz em iniciar esta conversa", disse Collins.  "Ninguém quer viver com medo e sempre tive medo de dizer a coisa errada. Não durmo bem, nunca dormi. Tenho sofrido anos de miséria para viver uma mentira".

Aliviado por falar abertamente sobre sua sexualidade, Collins afirmou ter decidido revelar seu segredo após conversar com um ex-colega de quarto de faculdade, o congressista Joe Kennedy, que participou de uma parada gay em Boston em 2012. 

"Lealdade com minha equipe é a verdadeira razão para não assumir mais cedo. Quando assinei um contrato de agente livre com o Boston, em julho, decidi me comprometer com os Celtics e não deixar que minha vida pessoal se tornasse uma distração. Quando fui negociado com os Wizards, o significado político de fazer isso surgiu. Estava pronto para abrir para a imprensa, mas tive que esperar até a temporada acabar", contou o jogador.

O pivô revelou que adotou a camisa 98 nos Celtics e nos Wizards em uma homenagem à comunidade gay. O número é uma referência a um crime ocorrido em 1998, quando um estudante foi sequestrado, torturado e morto em Wyoming por ser homossexual.

Sem contrato após o término da fase regular, Collins tem a esperança de acertar com alguma equipe da NBA. O jogador afirmou nunca ter se relacionado ou sentido atração por algum companheiro de equipe e ressaltou seu comportamento em 12 temporadas para encerrar questionamentos sobre como será a convivência com os demais atletas a partir de agora.

"Já me perguntaram como outros jogadores responderão ao meu anúncio. A resposta é simples: não tenho ideia. Espero o melhor, mas me preparo para o pior. Acreditem em mim, tenho ido a muitos chuveiros em 12 temporadas. Meu comportamento não era um problema antes e não será agora. Ainda respeito o ditado 'o que acontece no vestiário, fica no vestiário. Ainda sou um modelo de discrição", afirmou Collins.

Collins atua na NBA desde 2001, quando foi selecionado pelo Houston Rockets e trocado imediatamente com os Nets. Defendeu o time de Nova Jersey por sete temporadas, antes de atuar por Memphis Grizzlies, Minnesota Timberwolves, Atlanta Hawks, Boston Celtics e Washington Wizards. Manteve médias de 3,6 pontos e 3,8 rebotes por partida.

 

Para Dana White, o desejo de Anderson Silva de fazer uma superluta contra um grande nome do UFC - muito provavelmente Jon Jones ou Georges St-Pierre - passa por sua vitória contra Chris Weidman no UFC 162 (ver foto-montagem), na defesa do cinturão dos pesos-médios da entidade. 
 
Em conversa com os jornalistas após a coletiva oficial pós-UFC 159, o dirigente garantiu que o resultado da luta contra Weidman é determinante para a realização de qualquer superluta envolvendo o brasileiro.
 
- Não importa com quem Anderson Silva lutará depois do UFC 162, pois até lá ele tem que se concentrar em Chris Weidman. Porque Weidman me disse que me fará um favor, concedendo uma revanche a Anderson Silva no Madison Square Garden após vencê-lo no UFC 162. Nada mais importa para Anderson do que essa luta, porque se ele for derrotado, não haverá superluta alguma depois. Ainda vou conversar com Ed Soares (empresário de Anderson) para decidir algumas coisas, e vamos ver como tudo acontece. Mas garanti que não haverá superluta alguma se Anderson for derrotado, porque superlutas significam ter os melhores lutadores peso por peso do mundo tentando ver quem é o melhor. Se Anderson não for o melhor de sua categoria, não faz sentido fazer uma superluta. A coisa perde a magia. Hoje, os dois melhores lutadores peso por peso do mundo são Anderson Silva e Jon Jones. Tudo que posso dizer é que uma luta entre o número um e o número dois é uma bela luta
 
Segundo Dana White, Anderson Silva teria lhe telefonado e pedido uma superluta durante o UFC 159. O dirigente não confirmou contra quem seria, mas garantiu que já iniciou os trabalhos para que ela aconteça, caso o brasileiro defenda seu cinturão contra Chris Weidman em agosto.

 

O empresário Andrews Moraes, em entrevista exclusiva à Rádio Globo, afirmou que o jogador Bernardo (foto) é '171'. Segundo Andriws, que possui empresas do ramo alimentício na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, em janeiro de 2012, Bernardo pediu R$40 mil emprestados para pagar restante da casa da mãe e não entrou mais em contato com ele.

'Ele chegou até a mim por um amigo em comum, que sabia que eu tinha esse dinheiro na conta e que sou amigo de vários jogadores. Ele veio até mim, pediu o dinheiro, chorou por 10 minutos na minha frente. Nós fomos até o banco e ele assinou os cheques na frente do meu gerente. Quando chegou a época de me pagar, ele não atendia mais o telefone', afirma Andrews.

O empresário afirma que continuou tentando entrar em contato com o jogador, mas não conseguia.

'Eu mandei o banco fazer o depósito dos cheques mesmo sem a autorização do Bernardo. Dias depois, o meu gerente me ligou dizendo que o Bernardo havia sustado os cheques dizendo que havia sido roubado', afirma, indignado, Andrews Moraes.

Andrews afirma que foi alvo de gozações por muitas pessoas pelo fato de não ter sido reembolsado pelo meia vascaíno, que houve tentativas de acordo com os empresários do jogador e que ingressará com ação judicial para reaver o que entende ter direito.

'Muitos souberam desta situação. Fui alvo de chacota. Foi feita denúncia na Delegacia da Barra, onde Bernardo responde por estelionato. Ele foi intimado a depor sobre esse caso e agora os cheques estão nas mãos da Polícia. Cansei, vamos entrar com a ação, infelizmente Bernardo é caso perdido e, se o Vasco e os empresários não tomarem atitude, veremos um circo dos horrores acontecer', afirma o empresário.

 

O ex-goleiro da seleção paraguaia José Luis Chilavert (foto) foi vítima de um violento assalto na noite desta quinta-feira, na Argentina. O incidente aconteceu no bairro Caballito, em Buenos Aires, capital do país. Segundo informações da imprensa local, ao menos cinco criminosos armados participaram da ação e chegaram a ameaçar o ex-jogador de morte.

- Vinha tranquilo com o meu Audi, quando surgiu o bando com cinco ladrões em um carro. Eles estavam armados até os dentes. Parecia um filme de guerra. Eles levaram a minha caminhonete e por sorte não me deram um tiro – disse Chilavert ao jornal “La Nacion”.

O jogador, que mora na Argentina, criticou a situação atual do país, afirmou que assaltos como esse são comuns nos dias de hoje e fez comentários duros em relação ao governo. Entretanto, o paraguaio afirmou esperar que não se trate de uma vingança por ter ajudado a desmantelar uma máfia de apostas esportiva que agia na região.

- Espero que não seja uma vingança. Assaltos como este são normais hoje em dia na Argentina. Para muita gente do Governo (argentino) há uma sensação de insegurança, mas não é sensação, é uma terrível realidade que não querem ver e não fazem nada contra a insegurança.

 

Campeão da Copa do Brasil e vice-campeão brasileiro, Bernardo (foto) era um dos jogadores mais festejados do Vasco no fim de 2011. Após o empate com o Flamengo, na última partida daquele Brasileiro, elenco, comissão técnica, dirigentes e alguns conselheiros foram comemorar o fim da temporada numa churrascaria. Depois de algumas horas no local, o jogador - artilheiro do time, mesmo na reserva, com 18 gols - foi de mesa em mesa pedir aos responsáveis do clube que o contratassem de vez.

- Não me deixem voltar para o Cruzeiro, por favor, por favor. Eu quero ficar aqui - pedia Bernardo.

Menos de dois meses depois - e quase R$ 4 milhões pagos pelo Vasco ao Cruzeiro para adquirir os direitos econômicos do jogador -, acontecia uma reunião na sala do diretor de futebol do Vasco, Daniel Freitas, hoje no Náutico. Além dele, o presidente Roberto Dinamite, o vice-presidente Antônio Peralta e o vice de futebol José Hamilton Mandarino assistiram estarrecidos a um choro copioso de Bernardo. Dias antes, ele entrara na Justiça contra o clube, por atraso no salário e no depósito do FGTS.

- Foi só mais um episódio de completo desequilíbrio emocional do Bernardo. Ele chorava copiosamente, lamentava o que tinha feito, dizia que se sentia pressionado pelas dificuldades na família - lembrou um dos personagens que presenciaram a cena do início de 2012.

Na ocasião, chegou a São Januário a informação de que Bernardo acionara a Justiça pressionado por dívidas com traficantes e um agiota da Ilha do Governador, acumuladas por causa dos atrasos salariais. Pouco tempo antes, ele havia comprado uma casa para os pais em Sorocaba (SP). Aos 21 anos e sem muitas reservas econômicas, contava principalmente com o dinheiro das luvas relativas ao novo contrato com o Vasco para quitar o investimento e manter as contas em dia. De acordo com pessoas próximas, o atraso do clube no pagamento mexeu com o lado emocional do jogador, que, além de já ser pai de três filhos, estava em processo de separação com a esposa, então grávida.

O caso reforça um pouco a imagem de garoto-problema. Bernardo, com quatro filhos de dois casamentos, leva ao longo da carreira um histórico de indisciplina e confusões. Passou por todas as seleções de base - sub-15, sub-17 e sub-20 -, sempre com seu estilo marcante: muita entrega em campo e um jeitão meio tresloucado, além de ser um exímio cobrador de faltas.

Emprestado do Cruzeiro para o Goiás em 2010, Bernardo viveu boa fase e participou da campanha que levou o time à final da Copa Sul-Americana, quando perdeu nos pênaltis para o Independiente, da Argentina. No entanto, ele ficou fora dos dois últimos jogos, afastado por indisciplina pelo técnico Artur Neto.

Foi contratado pelo Vasco ao longo do Carioca de 2011 e não teve sequer uma apresentação oficial. O clube, que passava por má fase, sabia da fama de jogador-problema. O objetivo era tirar os holofotes do garoto que sempre mostrou talento e proporcionou polêmica por onde passou. Entrando aos poucos no time, chegou a deixar o camisa 10 Diego Souza no banco. Em boa fase, com o time disputando títulos, Bernardo estava nos braços da torcida. Mas fora de campo já se entrosava em boates e becos da pista e das favelas cariocas.

- Em Minas, ele também ia na favela. Eu ia com ele. Mas lá é mais tranquilo, vai qualquer um no morro. No Rio é mais perigoso, só sobe quem é autorizado - diz Laila Fonseca, ex-mulher de Bernardo.

Casada por seis anos com o meia, ela lamenta o deslumbramento de Bernardo na mudança de cidade.

- Ele virou outra pessoa quando foi para o Rio. Mudou totalmente. Por causa desses amigos, dessas idas a favelas - diz ela.

 

Bernardo chorando no treino do Vasco (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)
Bernardo chora e é consolado por Cristóvão durante a reta final do Brasileiro 2011: jogador passava, novamente,
por problemas particulares no clube. (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

 

Algumas pessoas no Vasco conheciam as histórias de Bernardo e as relações perigosas que o meia mantinha. Em uma ocasião, chegou em casa e entregou R$ 27 mil a Laila, que perguntou de onde vinha o dinheiro. Ao saber que era um empréstimo de traficantes, já que o Vasco atrasava os salários, mandou que ele devolvesse a quantia.

Ele nunca chegou a ser afastado, embora proporcionasse episódios desconfortáveis. Na reta final do Brasileiro de 2011, subiu atrasado para o treino e de repente começou a chorar. O motivo nunca foi bem explicado.

- Ele alegou que passava por problemas na família. Dizem que ele sempre foi muito pressionado, que a família o vê como a salvação da lavoura - diz um dirigente que estava no Vasco em 2011.

Na primeira passagem pelo Vasco, Bernardo ainda estava casado com Laila, mãe de três dos quatro filhos que ele tem. Agora, após passagem apagada pelo Santos, voltou ao clube solteiro. Mora sozinho num apart-hotel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Pessoas próximas dizem que ele parecia mais calmo, mas as festas - da Zona Sul ou de favelas - nunca pararam. Relacionamento com traficantes também não foi surpresa para muita gente.

- Descobrimos depois, mas ele sempre foi conhecido por isso. Não é à toa que, mesmo sendo reconhecidamente um bom jogador, nunca se firmou em lugar algum - contou outra fonte do Vasco ouvida pelo GLOBOESPORTE.COM.

No Santos, uma grave lesão muscular o obrigou a ficar alguns meses parado em recuperação. Foi a senha para que ele novamente se deixasse levar pela noite paulista, fazendo com que o técnico Muricy Ramalho sequer lhe dirigisse a palavra ou olhasse em sua direção. Percebendo o clima ruim, Bernardo passou a falar com frequência com jogadores e integrantes da comissão técnica, sondando a possibilidade de ser reaproveitado no clube em 2013.

Bernardo iniciou a atual temporada disposto a finalmente se firmar como titular do Vasco, dono de 50% de seus direitos (o Cruzeiro tem 37,5%, e a empresa de Léo Rabello, 12,5%). Durante os 15 dias de reclusão em Pinheiral (RJ), ele foi um dos destaques nos treinamentos de um time enfraquecido após a saída de alguns dos principais jogadores do elenco. E iniciou o Campeonato Carioca absoluto na equipe montada por Gaúcho, disparando como artilheiro. Mas a frequência na noite carioca acabou por cobrar seu preço dentro de campo.

- A gente sabia que ele estava perdendo a linha nas noitadas, não estava se cuidando. E, claro, isso afetou o rendimento no campo. Então não tinha como mantê-lo no time - afirmou um integrante da comissão técnica cruz-maltina.

A ex-mulher defende Bernardo. Lembra que ele "é um menino que carrega muita responsabilidade" para a idade que tem.

- Ele tem 23 anos, quatro filhos e uma família que depende totalmente dele. Até eu mesma sou um problema, porque preciso cobrar as coisas dele. A cabeça dele fica a mil - diz Laila, que admite já ter ido buscá-lo na favela depois de dois dias fora de casa.

O Vasco emitiu nota oficial de apoio ao jogador. Apesar de todos os problemas que causa, o meia é querido em São Januário. O diretor técnico Ricardo Gomes é um dos que tentam acalmar a fera. Bernardo chegou a ser barrado por Gaúcho no início do ano, mesmo sendo - ainda - o artilheiro do time. O acompanhamento psicológico também não surte muito efeito no meia, que, muitos apostam, ainda não aprendeu a lição.

- O Bernardo é um cara dócil, mas é um pouco oito ou 80. Tem esse jeito Menino Maluquinho de ser. É o nosso Heleno de Freitas - resume um integrante da comissão técnica do Vasco.

 

Mosaico Bernardo Vasco (Foto: Editoria de arte / Globoesporte.com)

 

O Ministério Público Federal apresentou, no início desta semana, um parecer favorável à manutenção do contrato entre Caixa Econômica Federal e Corinthians, suspenso desde o fim de fevereiro. O documento agora será anexado ao processo que avalia a parceria e deve ser levado em consideração na decisão final.
 
O texto do MPF foi assinado pelo procurador regional Waldir Alves, que não concorda com as argumentações de que o contrato de patrocínio é lesivo ao erário ou inconstitucional. Para ele, apesar de ser um ente público, a Caixa pode patrocinar o Corinthians por concorrer no mercado com instituições financeiras privadas.
 
Waldir Alves ainda destaca os benefícios que o contrato proporcionaria ao banco. O procurador se apoia em uma pesquisa realizada pela empresa Informídia, especializada no assunto, que avalia um retorno de mais de R$ 23 milhões para a Caixa em exposição na mídia só nos 43 primeiros dias da parceria (entre 19 de novembro e 31 de dezembro de 2012). O lucro, é claro, compreende a participação vitoriosa do clube no Mundial de Clubes, no Japão.  
 
Além disso, Alves ainda destaca que, com o contrato, o banco passa a dominar toda a operação financeira do clube do Parque São Jorge, o que rende lucros diretos para a Caixa. Nesse cenário, o procurador orienta os responsáveis que derrubem a liminar e permitam que o acordo entre as partes seja retomado.
 
O Corinthians não recebe da Caixa desde o fim de fevereiro, quando a liminar foi divulgada. Na ocasião, o juiz Altair Antonio Gregório, da 6ª Vara Federal do Rio Grande do Sul, julgou procedente a argumentação do advogado Antonio Beiriz, autor da ação pública que questiona a parceria, e pediu a suspensão dos pagamentos.
 
As parcelas mensais de um contrato de R$ 31 milhões fizeram falta ao clube, que entrou com um recurso para suspender a liminar, assim como a Caixa. Ambos foram recusados pelo desembargador Cândido Alfredo Silva Leal Junior, que chegou a citar a tragédia de Oruro como um ponto negativo para a manutenção da parceria.
 
Em sua argumentação, ele citou a morte de Kevin Espada, de 14 anos, que morreu depois de ser atingido por um sinalizador de navio atirado por corintianos presentes no estádio, como um exemplo de publicidade negativa para a Caixa. O MPF repudiou a citação, dizendo tratar-se de uma questão penal, que não deveria vir à tona em um processo que nada tem a ver com a tragédia.
JR Esquadrias