Econômia (47)

Para Shannon O'Neil, pesquisadora sênior do think-tank Council of Foreign Relations (CFR), que edita a revista Foreign Affairs, a oferta de ações da empresa em Nova York pode ficar comprometida - mesmo com a delação em Brasília.

"Mesmo que a delação mostre que os líderes da JBS estão cooperando com a Justiça, o fato de eles estarem envolvidos (em um escândalo de corrupção) torna tudo mais dificil", disse O'Neil à BBC Brasil em Nova York. "Especialmente no caso dos investidores americanos, que podem não conhecer os meandros da política brasileira. Eles devem manter distância."

Corrupção

Procurada insistentemente pela reportagem ao longo da semana, a sede da JBS nos Estados Unidos disse que não comentaria o caso, nem respondeu sobre o IPO na bolsa de Nova York.

A preocupação da empresa com a repercussão internacional do caso pode ser percebida em um trecho de uma carta pública de desculpas, divulgada pelos irmãos na última quinta-feira, após a eclosão do escândalo.

"Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos", ressalta Joesley Batista no texto, mirando o mercado estrangeiro.

Para O'Neil, o problema começa em terras brasileiras. "Ter seu nome ou o nome da sua empresa associados a potenciais vereditos de corrupção nunca é algo bom para quem está querendo entrar em um novo mercado", afirmou.

Shannon O'Neil

Direito de imagem

JORDAN MATTER

 

Image captionAnalista é pesquisadora do Council of Foreign Relations, que edita a revista 'Foreign Affairs'

"O Departamento de Justiça vai acompanhar o caso de perto. Se eles porventura tiverem violado algo na Lei Americana Anti-Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês), eles podem ser investigados e processados por aqui", afirmou a analista.

Autoridades brasileiras apuram supostas irregularidades no financiamento das compras pela JBS das empresas Swift, National Beef e Pilgrim's Pride, todas nos Estados Unidos.

Antes da eclosão das denúncias do acordo de delação premiada, na última quarta-feira, a JBS havia sido alvo de quatro operações da Polícia Federal entre julho de 2016 e março de 2017.

A oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, inicalmente prevista para o primeiro semestre deste ano, foi adiada para o segundo semestre.

'Ano difícil'

A especialista também avaliou os impactos da delação para o futuro de Michel Temer e do sistema político brasileiro. Segundo O'Neil, a imagem do país vinha se recuperando no exterior, mas "agora muito disso mudou".

"A comunidade internacional estava torcendo ou começando a acreditar que o Brasil tinha mudado de caminho. Inflação caindo, crescimento econômico sendo retomado, reformas como o teto do gastos, trabalhista e da Previdência caminhando. A comunidade internacional apoia fortemente o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn", disse.

Presidente Michel TemerDireito de imagem

REUTERS

 

Image captionDelações da JBS colocaram o governo Temer em uma situação ainda mais delicada

 

"Mas agora muito disso mudou. As reformas pararão e podem retroceder. Sua equipe economica continuará? Eu acredito que sim, independente do que acontecer com Temer, mas não aquela ideia de que o Brasil estava finalmente superando seus desafios e seguindo em frente e superando os escandalos da Lava Jato. Agora é pior, porque elas envolvem diretamente o presidente", diz.

A especialista completa: "Os problemas de Dilma durante o impeachment não estavam exatamente no âmbito da Lava Jato, eles tinham a ver com procedimentos orçamentários."

A reportagem pergunta se, frente à instabilidade política, seria melhor para o país que Temer continue ou deixe a presidência. "Neste momento, a habilidade dele para mudar as coisas é bastante limitada, mas é dificil saber o que está por vir", ponderou.

"Pode-se imaginar outro presidente interino para completar o mandato, mas esta pessoa será apenas alguém 'ocupando o cargo' até que um novo presidente seja realmente eleito. Então, acho que ele continuando ou saindo, o Brasil terá um ano difícil pela frente."

Domingo, 21 Maio 2017 21:54

LEI DA GORJETA AGRADA GARÇONS E PATRÕES

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 Deste modo, o texto estabelece que toda a gorjeta é direto dos funcionários, e que os empregados devem fazer o rateiro entre eles

“A lei é uma coisa boa, pois o combinado não sai caro”, disse o garçom Antônio Marco. Entretanto, o profissional não está surpreso, pois já trabalha com essa remuneração extra há muito tempo. “A gente já vem trabalhando assim, pois há tempos o sindicato vem atuando dentro dos padrões da nova lei”, acrescentou.

Para o diretor do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Restaurantes, Bares e Similares do DF (Sechosc), Leonardo Bezerra Pereira, a regulamentação normatiza uma situação que já era discutido há tempos. “Essa foi uma questão que sempre gerou inconveniência, pois a lei normativa não existia. Contudo, desde 2011 nós vinhamos acompanhando a tramitação do processo no Congresso. O modelo que o Sechosc trabalha é um dos exemplos adotados pela lei”, disse.

Já presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Restaurantes, Bares e Similares do Distrito Federal, Jael Antônio da Silva, disse que lei veio como solução para um impasse que sempre gerou problemas para os patrões. ”Ela [a lei] trouxe uma segurança jurídica para o empresariado, tendo em vista a regulamentação. Já que havia muita demanda de processos trabalhistas por conta da falta de regulamentação da divisão de gorjeta”, explicou.

Detalhes

A lei altera alguns pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especificamente no Artigo 457, que regulamenta a divisão das gorjetas entre os funcionários dos estabelecimentos, tais como garções, caixas, cozinheiros, zeladores etc, permitindo alterações no porcentual da gorjeta destinada a arcar com encargos trabalhistas e clareza na divisão entre a equipe de funcionários.

Para a lei, tanto os 10% normalmente cobrados pelo estabelecimento, quanto qualquer valor a mais dado pelo cliente, tudo é considerado gorjeta, pois a gratificação não é uma receita dos patrões, mas dos funcionários. “A gorjeta deve ser dividida para toda a equipe, pois os cozinheiros, zeladores etc também cooperam com uma boa prestação de serviço.”, disse Jael Antônio.

Pela lei, tudo agora é contabilizado no contracheque. Deste modo, o texto estabelece que toda a gorjeta é direto dos funcionários, e que os empregados devem fazer o rateiro entre eles. Porém, tudo deve ser discutido em assembleia. Nas empresas com mas de 60 funcionários, deverá ser constituída uma comissão para acompanhar e fiscalizar a cobrança e distribuição da gorjeta.

A lei determina que as empresas devem registrar na carteira de trabalho e na contribuição da Previdência Social o valor fixo do salário dos seus funcionários, mas também uma média dos valores recebidos em gorjeta durante o período de doze meses.

Antônio Marcos entende que o lançamento do valor médio na Carteira de Trabalho gera  estabilidade. “Acho melhor, pois nas nossas férias, quando não estamos recebendo gorjetas, o nosso salário vem com um valor calculado com a média anual de gorjetas”. Avaliou.

 

*Estagiário sob a supervisão de Aécio Amado

Segunda, 27 Março 2017 20:09

Carne Fraca: Brasil pode ter prejuízo bilionário

Escrito por

Especialista ressalta relação entre governo e grandes corporações

 

Da Ansa / O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . br

O escândalo internacional gerado pela megaoperação da Polícia Federal (PF), batizada de "Carne Fraca", abalou a imagem da produção de carne brasileira diante de seus maiores compradores pelo mundo.

Segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, só no dia 21 de março, a média de exportações caiu de cerca de R$ 197 milhões para aproximadamente R$ 230 mil. "Estamos falando de números estratosféricos", disse Maggi estimando um prejuízo de R$ 4,6 bilhões por ano conforme os desdobramentos da Carne Fraca forem avançando.

Até o momento, grandes importadores já 
anunciaram suspensão total ou parcial de compra referente às 21 unidades afetadas pelas revelações da PF.  Entre eles, China, Japão, Suíça, Chile, Hong Kong, Egito e União Europeia.

Gigante da exportação

Quatro destes países estão entre os maiores importadores de 2016. Hong Kong aparece como líder no ranking, tendo importado 285 mil quilos de carne, em mais de R$ 3 bilhões em negócios, seguido por China (R$ 703 milhões) e Egito (R$ 550 milhões).

Dados oficiais do governo mostram que o Brasil exportou, em 2016, mais de 1 milhão de toneladas de carne bovina, sendo que o país corresponde a 20% do mercado internacional de bovinos, suínos e aves. Ainda conforme as informações do Ministério, o setor movimenta cerca de R$ 43 bilhões por ano em exportações.


O escândalo

No entanto, as mais de 350 páginas do relatório da PF, divulgadas na última sexta-feira, colocaram sombra para além dos 21 frigoríficos investigados – impedidos de exportar carne para fora do país pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Isso porque, entre as empresas investigadas estão duas das maiores do setor no mundo, a Brasil Foods (BRF) e a JBS.

De acordo com a PF, um grupo de fiscais e executivos é suspeito de negociar propinas para liberar –tanto para o comércio interno quanto para o externo – carne fora das especificações e dos padrões de qualidade exigidos.


O governo e as grandes corporações

Para o professor de comércio exterior da Universidade Mackenzie, Arnaldo Francisco Cardoso, a situação trará problemas econômicos "no curto prazo” e ainda, “talvez no médio prazo". Além disso, Cardoso ressaltou um ponto muito importante: as relações entre grandes corporações e o Estado.

"O que eu vejo desse episódio, o valor mais significativo, é o fato de que esse escândalo traz problemas estruturais e não conjunturais. Em 2006, o Brasil enfrentou um grande surto de febre aftosa e, nesse momento, abalou bastante o nosso fluxo de exportação de carne, mas a resolução ocorreu no curto prazo. Mas, esse episódio traz um caso estrago muito significativo para a imagem desse setor, das empresas e da própria imagem país", alerta o professor.


Falha de relacionamento

Naquele ano, os maiores compradores de carne do Brasil também embargaram o produto, gerando um grande prejuízo econômico e forçando as autoridades a fazer uma adequação do rebanho brasileiro, mudando práticas e técnicas.

"Esse processo de qualificação dessas empresas no comércio internacional tem mostrado para a gente que ele não foi acompanhado na melhora de um padrão do relacionamento entre essas grandes corporações e o Estado brasileiro com seus vários agentes públicos", ressalta.


“Divisor de águas”

Para Cardoso, a operação Carne Fraca pode ser um "divisor de águas" se for bem utilizada pelo governo. O professor destaca que, no atual momento vivido pelo Brasil, envolvido em outros escândalos de corrupção, essa é mais uma oportunidade para tentar mudar o cenário da economia brasileira.

"Impactos na balança comercial devem ocorrer, mas não considero que seja o elemento mais importante dessa crise. Mas, sim de trazer a tona, de evidenciar em mais esse segmento da economia brasileira, esse padrão de relacionamento entre grandes corporações e do Estado brasileiro que são insustentáveis", conclui.

Segunda, 27 Março 2017 18:24

A empresa JBS retoma produção de carne bovina

Escrito por

A suspensão das atividades da JBS aconteceu após a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal

 

blogdobg
 

A JBS retomou nesta segunda-feira (27) o abate de carne bovina nas suas unidades. A companhia havia suspendido por três dias a produção em 33 das 36 unidades da empresa que, a partir desta semana, vão operar com redução de 35% da capacidade produtiva.

A empresa informou que “está avaliando a retomada de sua capacidade produtiva após o fim do bloqueio das importações por parte de China, Chile e Egito, mas continua aguardando a definição de importantes mercados importadores como União Europeia e Hong Kong”.

A suspensão das atividades da JBS aconteceu após a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investiga um esquema de suborno a fiscais agropecuários para liberação da venda de carnes inadequadas para o consumo. A Seara, uma das marcas da JBS, teve a unidade da Lapa (PR) citada no esquema, devido a supostas irregularidades no procedimento de Certificação Sanitária.

Pelo menos 19 países e a União Europeia suspenderam total ou parcialmente as importações de carnes brasileiras após o anúncio da Operação Carne Fraca. Mais quatro países, entre eles os Estados Unidos, reforçaram o controle sanitário para entrada do produto brasileiro.

 

Agência Brasil


 

 

Especialistas sem emprego no Brasil podem tentar a vida mundo afora; profissionais de áreas como tecnologia levam vantagem

Gazetadopovo/Giorgio Dal Molin

Ainda que as crises imigratórias, especialmente de refugiados da Ásia e África, e políticas de restrições contra ondas de estrangeiros dominem as manchetes, há um tipo de “cidadão do mundo” bem visto, e disputado pelos países desenvolvidos.

A disputa por mão de obra qualificada envolve boa parte dos países desenvolvidos. Desde os imensos Canadá e Austrália, até os pequenos Portugal e Cingapura. Até mesmo os Estados Unidos de Donald Trump mantêm políticas que facilitam os vistos para pessoas qualificadas – como os engenheiros escolhidos a dedo pelas gigantes do Vale do Silício.

Empresas e universidades costumam promover ativamente a busca por estrangeiros. Há casos extremos, como o da indústria de tecnologia de Wellington, na Nova Zelândia, que se propôs a pagar a passagem aérea dos candidatos.

Confira os dados de desemprego entre estrangeiros pelo mundo

Diretora de programas globais de Engenharia da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, a brasileira Maria Claudia Alves explica como funciona a busca: “Nosso foco é atrair pesquisadores e profissionais para mestrado e doutorado. Construímos parcerias com professores de todo o mundo e temos bastante cuidado nessa seleção. Caso se estabeleça no país, a ideia também é que ele mantenha os laços com o país de origem”, explica.

Boas oportunidades no exterior, geralmente, estão relacionadas às ciências da saúde, engenharias, tecnologia da informação e contabilidade (veja mais nesta página). As oportunidades para “especialistas” estão concentradas em três continentes, segundo Daniel Magalhães, diretor da Global Visa – rede de franquias de vistos: América do Norte, Europa e Oceania.

 

Terras de Oportunidades

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Maria Claudia destaca que os Estados Unidos estão sempre dispostos a recrutar talentos. “A maneira mais eficiente é certamente através de programas acadêmicos. Eles aumentam o networking e a possibilidade de conseguir visto de trabalho”, opina Maria Claudia. Outra forma de entrar no mercado norte-americano é aplicar para vagas em que a empresa se disponha a patrocinar o visto de trabalho. “Normalmente são profissionais muito especializados, pois há muitos custos financeiros e burocráticos”, diz.

O Canadá também traz oportunidades. Magalhães estima que 80% das vagas para especialistas estrangeiros no Canadá sejam relacionadas às especializações tecnológicas. Ele confirma que o país, já há algum tempo, demanda mão de obra importada devido ao rápido desenvolvimento econômico.

Para brasileiros driblarem a “crise de imigração” na Europa, Portugal pode ser uma boa porta de entrada para a inserção no mercado de trabalho europeu. Em novembro de 2016, em reunião no Itamaraty, o presidente português, Marcelo Rebelo propôs um acordo de permissão para que os cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa possam residir, trabalhar e ter direitos sociais em nações lusófonas. O documento final deve ser assinado em nova reunião, em Cabo Verde, em 2018.

Austrália e Nova Zelândia têm, respectivamente, 15% e 20% de estrangeiros em sua população. O diretor da Global Visa diz que a maneira mais fácil de começar a trabalhar nesses países é fazendo cursos de idiomas ou outros, pois há permissão de trabalho enquanto se estuda em ambos os países.

 

América do Norte e sonho americano

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O designer Daniel Trezub e a jornalista Priscilla Fogiato deixaram Curitiba rumo ao Canadá em 2013.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diretor da consultoria Global Visa, Daniel Magalhães lembra que o Canadá tradicionalmente precisa de mão de obra especializada importada. “Mas não pense que o emprego é fácil. A preferência sempre é por quem tem o idioma nativo”, avisa Daniel Trezub, de Montreal. Designer de formação, ele trabalha com testes de jogos eletrônicos. Casado com a jornalista Priscilla Fogiato, eles saíram de Curitiba em 2013 rumo ao Canadá.

“Levamos quase três anos nos planejando. Estudamos no Brasil até termos o domínio da língua [francesa e inglesa], fizemos as contas de quanto deveríamos levar de dinheiro para pelo menos seis meses. Tudo em busca de melhor qualidade de vida”, conta Priscila. Hoje, ela é coordenadora de equipe em uma empresa de jogos de Montreal.

O casal adverte brasileiros que pensam ser fácil conseguir visto e que basta desembarcar para conseguir espaço. “Antes de viajar, prepare-se, pesquise, faça as contas. Experimente aplicar para as vagas antes de sair do Brasil. Muitos profissionais que chegam ao Canadá precisam voltar a estudar para conseguirem revalidação do diploma”, orienta Priscilla. Ela conta que há brasileiros que chegam a levar um ano para conseguirem emprego. “E tem aqueles que desistem por não se adaptarem ao frio e à cultura”, emenda Daniel.

Isso não impede, contudo, que pessoas de diferentes áreas consigam se encaixar. Para a diretora de programas globais de Engenharia da Universidade Texas A&M, Maria Claudia, “os brasileiros que chegam aqui [na universidade] têm um nível técnico alto”, diz ela. “Brasileiros também conseguem ter sucesso em áreas mais subjetivas, como artes e esportes”, completa Magalhães. A história de Maria Claudia ilustra bem essas alternativas.

Tenista na adolescência, a catarinense terminou o ensino médio no Brasil e ganhou bolsa de estudos em Marketing na Universidade Lynn, na Florida, e fez mestrado na Texas A&M com apoio da Fundação Estudar (Brasil) e da própria universidade, trabalhando meio período no campus. Após passar por uma agência de marketing em Miami, foi chamada para uma posição na universidade texana.

Uma amostra do capital intelectual estrangeiro é que 51% das startups norte-americanas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão têm imigrantes em seu quadro de fundadores, segundo a Fundação Nacional de Políticas Americanas. A diretora universitária destaca algumas áreas em ascensão, como saúde e agronegócios. “Os brasileiros têm conhecimentos específicos e necessários nesse campo”, resume.

Antes de tentar imigrar, vale o alerta: nos Estados Unidos, por lei, a preferência de preenchimento de vagas é para cidadãos norte-americanos, explica o diretor da Global Visa. Trabalhar na informalidade é uma opção arriscada. “Essas pessoas se programam para ir e ganhar dinheiro, mas depois, se conseguirem o objetivo, não podem mais voltar para os Estados Unidos, nem a turismo, como punição”, afirma o diretor da Global Visa.

Portanto, o mais recomendado é entrar no mercado por vagas de mestrado e doutorado. “Temos vários casos de estudantes que vieram para os Estados Unidos com a bolsa de mestrado do Programa Ciência Sem Fronteiras, do Governo Federal, e que foram convidados para doutorados patrocinados pelas próprias universidades”, incentiva Maria Claudia.

 

Europa: sem cidadania, com bom currículo

Ter a cidadania de algum país  da União Europeia facilita a entrada? Certamente, mas nada substitui uma boa especialização. Portugal pode ser um ponto de partida, e o caso do curitibano Guilherme Candido Hartmann ilustra bem isso. Com graduação em Ciência da Computação e pós em Jogos Digitais, conseguiu entrar no Mestrado de TI em Coimbra 2006.

“Era um período em que eu podia largar tudo, viajar. A aplicação foi fácil, bastou enviar meu currículo, informações de diploma e histórico escolar. Durante o próprio curso, trabalhei dentro de empresas que ficavam ‘encubadas’ na universidade. Percebi também que o conhecimento técnico do Brasil em tecnologia traz uma base muita boa para os padrões internacionais”, afirma Guilherme.

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Arquivo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o diploma em mãos, ele conta que passou um tempo trabalhando na Alemanha, em 2007, antes de voltar ao Brasil. Após seis meses em Curitiba, foi aprovado em uma vaga com seu perfil na Redecard, em São Paulo. Ainda empregado, três anos depois resolveu fazer as malas, desta vez, com destino ao Reino Unido.

Acompanhado da noiva, hoje esposa, eles fizeram o pedido de visto de trabalho sozinhos, pela internet. O Governo Britânico solicitou dados como certificação de proficiência em inglês, entre outros fatores. “Apliquei para visto de mão de obra altamente especializada. Bastaram algumas traduções para fazer uma simulação [de capacidade e avaliação de perfil] online e ter a aprovação. Em menos de duas semanas já estava com o visto em mãos”, relata.

A ideia inicial era fazer MBA fora do Brasil, para trabalhar de dia e estudar a noite. “Arrumei um apartamento perto da London Business School e comecei a ter interatividade com a universidade, a formar contatos e a conhecer os produtos de educação deles. Acabei fazendo um curso de um ano de Educação Executiva em Investimento de Negócios”, conta. A inserção no mercado de trabalho, contudo, não foi das mais fáceis.

“No começo foi difícil, pois precisava de um emprego para ter dinheiro para moradia e a estrutura é muito diferente do Brasil. A falta de experiência no mercado de trabalho britânico é o limitante. Então, aceitei um emprego com o salário de praticamente a metade do que uma pessoa de alta performance ganharia na área de engenharia de softwares. Como a experiência que eu tinha já era de quase 10 anos, fui ganhando novas responsabilidades. Isso ajudou no momento de mudar de empresa”, conta.

Após um ano, Guilherme conseguiu um contrato de prestação de serviços de desenvolvimento de softwares com um grande banco local. E assim está há cinco anos: bem empregado e especializado. Recentemente, inclusive, obteve cidadania inglesa. Mas ele dá a dica para quem quer “pular” fora do Brasil:

“A maneira de trabalhar é muito diferente em cada lugar que passei. Já fiz projetos com franceses, alemães, russos e indianos. Eu me adapto melhor ao estilo inglês, em que a preocupação é unicamente na entrega e não na quantidade de horas de trabalho. Inclusive, quem faz hora extra por aqui pode ser visto como incompetente porque não conseguiu entregar o trabalho durante o expediente”, aconselha.

Para quem quer seguir os passos do profissional britânico-brasileiro, fica a dica: a inserção no mercado de trabalho em Portugal deve ser ainda mais fácil até o fim de 2018.

 

Oceania abriga brasileiros com alta escolaridade

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Em alguns países, o Brasil acaba sendo um dos maiores exportadores de talentos. Proporcionalmente, os brasileiros são os imigrantes com maior nível de escolaridade na Austrália, segundo estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

No país, 82,6% possuem pelo menos o grau universitário - 51,3% graduação e 31,3% pós-graduação. Comparada aos australianos, a porcentagem de brasileiros com mestrado ou doutorado vivendo na Austrália é de 9,37% contra 1,9%.

Daniel Magalhães, diretor da Global Visa, diz que forma mais fácil de começar a trabalhar na Austrália e na vizinha Nova Zelândia é fazendo cursos de idiomas ou outros, pois há permissão de trabalho enquanto se estuda em ambos os países. A pesquisa da UFF mostra exatamente isso: praticamente 80% dos entrevistados saíram do Brasil com visto de estudante e demonstraram interesse em permanecer no país.

No que depender de Rachel Belle, ela vai “engrossar” essa lista. Após oito anos trabalhando com comunicação empresarial no Brasil, desembarcou em Sidney em 2016 para realizar o sonho de ser chef de cozinha. Ela estudou inglês por cinco meses no país e começou um curso de gastronomia.

“Confesso que está sendo muito melhor que esperava. Consegui emprego como auxiliar de cozinha em um dos restaurantes ‘top 100’ do mundo. Não penso em voltar para o Brasil”, afirma.

Rachel destaca que a segurança e o fator da multicultural contribuem para a imensidão de estrangeiros na Oceania, além da forte necessidade de “importar” profissionais de diversas áreas, conforme as listas divulgadas pelos governos australiano e neozelandês. A cidade de Wellington, na Nova Zelândia, chegou a oferecer viagens gratuitas a profissionais de TI para fazerem turismo e entrevistas de emprego.

 

América Latina também traz oportunidades

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Países vizinhos também recebem grande volume de imigrantes do Brasil. O Paraguai, por exemplo, é o segundo país do mundo em que há mais brasileiros: 350 mil. Em toda a América do Sul são 550 mil (tirando o próprio Brasil, claro).

Um facilitador para imigrar é o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Parte do Mercosul, de 2002. Este trâmite é o primeiro passo para poder trabalhar legalmente em um dos países cinco membros do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além de Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru. Os contatos de cada país são encontrados na página oficial do Mercosul.

Na terra dos Andes, outro meio é provar vínculo para garantir visto de trabalho por dois anos, podendo ser renovado. Gerson Vaz é um exemplo. Há pouco mais de dois anos ele deixou Curitiba para assumir o posto de gerente nacional de vendas da GM em Santiago.

“A GM tem alguns programas no exterior em que a oportunidade se dá por necessidade da organização, seja para desenvolver um profissional ou para aproveitar a experiência dos mais ‘rodados’. No meu caso, vim para trazer algumas experiências de vendas”, diz.

Gerson destaca que o mercado automobilístico brasileiro é o maior da América do Sul, o que gera um ganho significativo de experiência em termos de processos de vendas, comunicação com os clientes e relacionamento com as redes de concessionárias. Isto favorece “chamados” desse tipo. “Agora, nos próximos meses, voltarei ao Brasil atendendo a um chamado da empresa”, diz.

Para ele, contudo, não basta estar com a documentação em dia. “Independentemente do país, você tem que, rapidamente se integrar à cultura, falar o idioma, participar das festas, curtir a comida, entender a história. É uma questão de respeito com as pessoas e uma forma de adaptação rápida. Eu, por exemplo, quando cheguei, logo comprei uma camisa da seleção chilena, ‘la Roja’ pois ‘la inchada’ (a torcida) é fanática e assim consegui me aproximar das equipes de trabalho”, orienta o profissional da GM.

Desocupação

Desemprego entre estrangeiros é maior na Europa. Oceania e Estados Unidos possuem índices menores, segundo levantamento da OCDE.

Índice de desemprego entre imigrantes, em %

Fonte: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE. Infografia: Gazeta do Povo.

 

Especialistas sem emprego no Brasil podem tentar a vida mundo afora; profissionais de áreas como tecnologia levam vantagem

Gazetadopovo/Giorgio Dal Molin

Ainda que as crises imigratórias, especialmente de refugiados da Ásia e África, e políticas de restrições contra ondas de estrangeiros dominem as manchetes, há um tipo de “cidadão do mundo” bem visto, e disputado pelos países desenvolvidos.

A disputa por mão de obra qualificada envolve boa parte dos países desenvolvidos. Desde os imensos Canadá e Austrália, até os pequenos Portugal e Cingapura. Até mesmo os Estados Unidos de Donald Trump mantêm políticas que facilitam os vistos para pessoas qualificadas – como os engenheiros escolhidos a dedo pelas gigantes do Vale do Silício.

Empresas e universidades costumam promover ativamente a busca por estrangeiros. Há casos extremos, como o da indústria de tecnologia de Wellington, na Nova Zelândia, que se propôs a pagar a passagem aérea dos candidatos.

Confira os dados de desemprego entre estrangeiros pelo mundo

Diretora de programas globais de Engenharia da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, a brasileira Maria Claudia Alves explica como funciona a busca: “Nosso foco é atrair pesquisadores e profissionais para mestrado e doutorado. Construímos parcerias com professores de todo o mundo e temos bastante cuidado nessa seleção. Caso se estabeleça no país, a ideia também é que ele mantenha os laços com o país de origem”, explica.

Boas oportunidades no exterior, geralmente, estão relacionadas às ciências da saúde, engenharias, tecnologia da informação e contabilidade (veja mais nesta página). As oportunidades para “especialistas” estão concentradas em três continentes, segundo Daniel Magalhães, diretor da Global Visa – rede de franquias de vistos: América do Norte, Europa e Oceania.

 

Terras de Oportunidades

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Arquivo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria Claudia destaca que os Estados Unidos estão sempre dispostos a recrutar talentos. “A maneira mais eficiente é certamente através de programas acadêmicos. Eles aumentam o networking e a possibilidade de conseguir visto de trabalho”, opina Maria Claudia. Outra forma de entrar no mercado norte-americano é aplicar para vagas em que a empresa se disponha a patrocinar o visto de trabalho. “Normalmente são profissionais muito especializados, pois há muitos custos financeiros e burocráticos”, diz.

O Canadá também traz oportunidades. Magalhães estima que 80% das vagas para especialistas estrangeiros no Canadá sejam relacionadas às especializações tecnológicas. Ele confirma que o país, já há algum tempo, demanda mão de obra importada devido ao rápido desenvolvimento econômico.

Para brasileiros driblarem a “crise de imigração” na Europa, Portugal pode ser uma boa porta de entrada para a inserção no mercado de trabalho europeu. Em novembro de 2016, em reunião no Itamaraty, o presidente português, Marcelo Rebelo propôs um acordo de permissão para que os cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa possam residir, trabalhar e ter direitos sociais em nações lusófonas. O documento final deve ser assinado em nova reunião, em Cabo Verde, em 2018.

Austrália e Nova Zelândia têm, respectivamente, 15% e 20% de estrangeiros em sua população. O diretor da Global Visa diz que a maneira mais fácil de começar a trabalhar nesses países é fazendo cursos de idiomas ou outros, pois há permissão de trabalho enquanto se estuda em ambos os países.

 

América do Norte e sonho americano

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O designer Daniel Trezub e a jornalista Priscilla Fogiato deixaram Curitiba rumo ao Canadá em 2013.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diretor da consultoria Global Visa, Daniel Magalhães lembra que o Canadá tradicionalmente precisa de mão de obra especializada importada. “Mas não pense que o emprego é fácil. A preferência sempre é por quem tem o idioma nativo”, avisa Daniel Trezub, de Montreal. Designer de formação, ele trabalha com testes de jogos eletrônicos. Casado com a jornalista Priscilla Fogiato, eles saíram de Curitiba em 2013 rumo ao Canadá.

“Levamos quase três anos nos planejando. Estudamos no Brasil até termos o domínio da língua [francesa e inglesa], fizemos as contas de quanto deveríamos levar de dinheiro para pelo menos seis meses. Tudo em busca de melhor qualidade de vida”, conta Priscila. Hoje, ela é coordenadora de equipe em uma empresa de jogos de Montreal.

O casal adverte brasileiros que pensam ser fácil conseguir visto e que basta desembarcar para conseguir espaço. “Antes de viajar, prepare-se, pesquise, faça as contas. Experimente aplicar para as vagas antes de sair do Brasil. Muitos profissionais que chegam ao Canadá precisam voltar a estudar para conseguirem revalidação do diploma”, orienta Priscilla. Ela conta que há brasileiros que chegam a levar um ano para conseguirem emprego. “E tem aqueles que desistem por não se adaptarem ao frio e à cultura”, emenda Daniel.

Isso não impede, contudo, que pessoas de diferentes áreas consigam se encaixar. Para a diretora de programas globais de Engenharia da Universidade Texas A&M, Maria Claudia, “os brasileiros que chegam aqui [na universidade] têm um nível técnico alto”, diz ela. “Brasileiros também conseguem ter sucesso em áreas mais subjetivas, como artes e esportes”, completa Magalhães. A história de Maria Claudia ilustra bem essas alternativas.

Tenista na adolescência, a catarinense terminou o ensino médio no Brasil e ganhou bolsa de estudos em Marketing na Universidade Lynn, na Florida, e fez mestrado na Texas A&M com apoio da Fundação Estudar (Brasil) e da própria universidade, trabalhando meio período no campus. Após passar por uma agência de marketing em Miami, foi chamada para uma posição na universidade texana.

Uma amostra do capital intelectual estrangeiro é que 51% das startups norte-americanas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão têm imigrantes em seu quadro de fundadores, segundo a Fundação Nacional de Políticas Americanas. A diretora universitária destaca algumas áreas em ascensão, como saúde e agronegócios. “Os brasileiros têm conhecimentos específicos e necessários nesse campo”, resume.

Antes de tentar imigrar, vale o alerta: nos Estados Unidos, por lei, a preferência de preenchimento de vagas é para cidadãos norte-americanos, explica o diretor da Global Visa. Trabalhar na informalidade é uma opção arriscada. “Essas pessoas se programam para ir e ganhar dinheiro, mas depois, se conseguirem o objetivo, não podem mais voltar para os Estados Unidos, nem a turismo, como punição”, afirma o diretor da Global Visa.

Portanto, o mais recomendado é entrar no mercado por vagas de mestrado e doutorado. “Temos vários casos de estudantes que vieram para os Estados Unidos com a bolsa de mestrado do Programa Ciência Sem Fronteiras, do Governo Federal, e que foram convidados para doutorados patrocinados pelas próprias universidades”, incentiva Maria Claudia.

 

Europa: sem cidadania, com bom currículo

Ter a cidadania de algum país  da União Europeia facilita a entrada? Certamente, mas nada substitui uma boa especialização. Portugal pode ser um ponto de partida, e o caso do curitibano Guilherme Candido Hartmann ilustra bem isso. Com graduação em Ciência da Computação e pós em Jogos Digitais, conseguiu entrar no Mestrado de TI em Coimbra 2006.

“Era um período em que eu podia largar tudo, viajar. A aplicação foi fácil, bastou enviar meu currículo, informações de diploma e histórico escolar. Durante o próprio curso, trabalhei dentro de empresas que ficavam ‘encubadas’ na universidade. Percebi também que o conhecimento técnico do Brasil em tecnologia traz uma base muita boa para os padrões internacionais”, afirma Guilherme.

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Arquivo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o diploma em mãos, ele conta que passou um tempo trabalhando na Alemanha, em 2007, antes de voltar ao Brasil. Após seis meses em Curitiba, foi aprovado em uma vaga com seu perfil na Redecard, em São Paulo. Ainda empregado, três anos depois resolveu fazer as malas, desta vez, com destino ao Reino Unido.

Acompanhado da noiva, hoje esposa, eles fizeram o pedido de visto de trabalho sozinhos, pela internet. O Governo Britânico solicitou dados como certificação de proficiência em inglês, entre outros fatores. “Apliquei para visto de mão de obra altamente especializada. Bastaram algumas traduções para fazer uma simulação [de capacidade e avaliação de perfil] online e ter a aprovação. Em menos de duas semanas já estava com o visto em mãos”, relata.

A ideia inicial era fazer MBA fora do Brasil, para trabalhar de dia e estudar a noite. “Arrumei um apartamento perto da London Business School e comecei a ter interatividade com a universidade, a formar contatos e a conhecer os produtos de educação deles. Acabei fazendo um curso de um ano de Educação Executiva em Investimento de Negócios”, conta. A inserção no mercado de trabalho, contudo, não foi das mais fáceis.

“No começo foi difícil, pois precisava de um emprego para ter dinheiro para moradia e a estrutura é muito diferente do Brasil. A falta de experiência no mercado de trabalho britânico é o limitante. Então, aceitei um emprego com o salário de praticamente a metade do que uma pessoa de alta performance ganharia na área de engenharia de softwares. Como a experiência que eu tinha já era de quase 10 anos, fui ganhando novas responsabilidades. Isso ajudou no momento de mudar de empresa”, conta.

Após um ano, Guilherme conseguiu um contrato de prestação de serviços de desenvolvimento de softwares com um grande banco local. E assim está há cinco anos: bem empregado e especializado. Recentemente, inclusive, obteve cidadania inglesa. Mas ele dá a dica para quem quer “pular” fora do Brasil:

“A maneira de trabalhar é muito diferente em cada lugar que passei. Já fiz projetos com franceses, alemães, russos e indianos. Eu me adapto melhor ao estilo inglês, em que a preocupação é unicamente na entrega e não na quantidade de horas de trabalho. Inclusive, quem faz hora extra por aqui pode ser visto como incompetente porque não conseguiu entregar o trabalho durante o expediente”, aconselha.

Para quem quer seguir os passos do profissional britânico-brasileiro, fica a dica: a inserção no mercado de trabalho em Portugal deve ser ainda mais fácil até o fim de 2018.

 

Oceania abriga brasileiros com alta escolaridade

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Arquivo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em alguns países, o Brasil acaba sendo um dos maiores exportadores de talentos. Proporcionalmente, os brasileiros são os imigrantes com maior nível de escolaridade na Austrália, segundo estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

No país, 82,6% possuem pelo menos o grau universitário - 51,3% graduação e 31,3% pós-graduação. Comparada aos australianos, a porcentagem de brasileiros com mestrado ou doutorado vivendo na Austrália é de 9,37% contra 1,9%.

Daniel Magalhães, diretor da Global Visa, diz que forma mais fácil de começar a trabalhar na Austrália e na vizinha Nova Zelândia é fazendo cursos de idiomas ou outros, pois há permissão de trabalho enquanto se estuda em ambos os países. A pesquisa da UFF mostra exatamente isso: praticamente 80% dos entrevistados saíram do Brasil com visto de estudante e demonstraram interesse em permanecer no país.

No que depender de Rachel Belle, ela vai “engrossar” essa lista. Após oito anos trabalhando com comunicação empresarial no Brasil, desembarcou em Sidney em 2016 para realizar o sonho de ser chef de cozinha. Ela estudou inglês por cinco meses no país e começou um curso de gastronomia.

“Confesso que está sendo muito melhor que esperava. Consegui emprego como auxiliar de cozinha em um dos restaurantes ‘top 100’ do mundo. Não penso em voltar para o Brasil”, afirma.

Rachel destaca que a segurança e o fator da multicultural contribuem para a imensidão de estrangeiros na Oceania, além da forte necessidade de “importar” profissionais de diversas áreas, conforme as listas divulgadas pelos governos australiano e neozelandês. A cidade de Wellington, na Nova Zelândia, chegou a oferecer viagens gratuitas a profissionais de TI para fazerem turismo e entrevistas de emprego.

 

América Latina também traz oportunidades

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Países vizinhos também recebem grande volume de imigrantes do Brasil. O Paraguai, por exemplo, é o segundo país do mundo em que há mais brasileiros: 350 mil. Em toda a América do Sul são 550 mil (tirando o próprio Brasil, claro).

Um facilitador para imigrar é o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Parte do Mercosul, de 2002. Este trâmite é o primeiro passo para poder trabalhar legalmente em um dos países cinco membros do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além de Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru. Os contatos de cada país são encontrados na página oficial do Mercosul.

Na terra dos Andes, outro meio é provar vínculo para garantir visto de trabalho por dois anos, podendo ser renovado. Gerson Vaz é um exemplo. Há pouco mais de dois anos ele deixou Curitiba para assumir o posto de gerente nacional de vendas da GM em Santiago.

“A GM tem alguns programas no exterior em que a oportunidade se dá por necessidade da organização, seja para desenvolver um profissional ou para aproveitar a experiência dos mais ‘rodados’. No meu caso, vim para trazer algumas experiências de vendas”, diz.

Gerson destaca que o mercado automobilístico brasileiro é o maior da América do Sul, o que gera um ganho significativo de experiência em termos de processos de vendas, comunicação com os clientes e relacionamento com as redes de concessionárias. Isto favorece “chamados” desse tipo. “Agora, nos próximos meses, voltarei ao Brasil atendendo a um chamado da empresa”, diz.

Para ele, contudo, não basta estar com a documentação em dia. “Independentemente do país, você tem que, rapidamente se integrar à cultura, falar o idioma, participar das festas, curtir a comida, entender a história. É uma questão de respeito com as pessoas e uma forma de adaptação rápida. Eu, por exemplo, quando cheguei, logo comprei uma camisa da seleção chilena, ‘la Roja’ pois ‘la inchada’ (a torcida) é fanática e assim consegui me aproximar das equipes de trabalho”, orienta o profissional da GM.

Desocupação

Desemprego entre estrangeiros é maior na Europa. Oceania e Estados Unidos possuem índices menores, segundo levantamento da OCDE.

Índice de desemprego entre imigrantes, em %

Fonte: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE. Infografia: Gazeta do Povo.

 

 

 

Especialistas sem emprego no Brasil podem tentar a vida mundo afora; profissionais de áreas como tecnologia levam vantagem

Gazetadopovo/Giorgio Dal Molin

Ainda que as crises imigratórias, especialmente de refugiados da Ásia e África, e políticas de restrições contra ondas de estrangeiros dominem as manchetes, há um tipo de “cidadão do mundo” bem visto, e disputado pelos países desenvolvidos.

A disputa por mão de obra qualificada envolve boa parte dos países desenvolvidos. Desde os imensos Canadá e Austrália, até os pequenos Portugal e Cingapura. Até mesmo os Estados Unidos de Donald Trump mantêm políticas que facilitam os vistos para pessoas qualificadas – como os engenheiros escolhidos a dedo pelas gigantes do Vale do Silício.

Empresas e universidades costumam promover ativamente a busca por estrangeiros. Há casos extremos, como o da indústria de tecnologia de Wellington, na Nova Zelândia, que se propôs a pagar a passagem aérea dos candidatos.

Confira os dados de desemprego entre estrangeiros pelo mundo

Diretora de programas globais de Engenharia da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, a brasileira Maria Claudia Alves explica como funciona a busca: “Nosso foco é atrair pesquisadores e profissionais para mestrado e doutorado. Construímos parcerias com professores de todo o mundo e temos bastante cuidado nessa seleção. Caso se estabeleça no país, a ideia também é que ele mantenha os laços com o país de origem”, explica.

Boas oportunidades no exterior, geralmente, estão relacionadas às ciências da saúde, engenharias, tecnologia da informação e contabilidade (veja mais nesta página). As oportunidades para “especialistas” estão concentradas em três continentes, segundo Daniel Magalhães, diretor da Global Visa – rede de franquias de vistos: América do Norte, Europa e Oceania.

 

Terras de Oportunidades

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Maria Claudia destaca que os Estados Unidos estão sempre dispostos a recrutar talentos. “A maneira mais eficiente é certamente através de programas acadêmicos. Eles aumentam o networking e a possibilidade de conseguir visto de trabalho”, opina Maria Claudia. Outra forma de entrar no mercado norte-americano é aplicar para vagas em que a empresa se disponha a patrocinar o visto de trabalho. “Normalmente são profissionais muito especializados, pois há muitos custos financeiros e burocráticos”, diz.

O Canadá também traz oportunidades. Magalhães estima que 80% das vagas para especialistas estrangeiros no Canadá sejam relacionadas às especializações tecnológicas. Ele confirma que o país, já há algum tempo, demanda mão de obra importada devido ao rápido desenvolvimento econômico.

Para brasileiros driblarem a “crise de imigração” na Europa, Portugal pode ser uma boa porta de entrada para a inserção no mercado de trabalho europeu. Em novembro de 2016, em reunião no Itamaraty, o presidente português, Marcelo Rebelo propôs um acordo de permissão para que os cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa possam residir, trabalhar e ter direitos sociais em nações lusófonas. O documento final deve ser assinado em nova reunião, em Cabo Verde, em 2018.

Austrália e Nova Zelândia têm, respectivamente, 15% e 20% de estrangeiros em sua população. O diretor da Global Visa diz que a maneira mais fácil de começar a trabalhar nesses países é fazendo cursos de idiomas ou outros, pois há permissão de trabalho enquanto se estuda em ambos os países.

 

América do Norte e sonho americano

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O designer Daniel Trezub e a jornalista Priscilla Fogiato deixaram Curitiba rumo ao Canadá em 2013.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diretor da consultoria Global Visa, Daniel Magalhães lembra que o Canadá tradicionalmente precisa de mão de obra especializada importada. “Mas não pense que o emprego é fácil. A preferência sempre é por quem tem o idioma nativo”, avisa Daniel Trezub, de Montreal. Designer de formação, ele trabalha com testes de jogos eletrônicos. Casado com a jornalista Priscilla Fogiato, eles saíram de Curitiba em 2013 rumo ao Canadá.

“Levamos quase três anos nos planejando. Estudamos no Brasil até termos o domínio da língua [francesa e inglesa], fizemos as contas de quanto deveríamos levar de dinheiro para pelo menos seis meses. Tudo em busca de melhor qualidade de vida”, conta Priscila. Hoje, ela é coordenadora de equipe em uma empresa de jogos de Montreal.

O casal adverte brasileiros que pensam ser fácil conseguir visto e que basta desembarcar para conseguir espaço. “Antes de viajar, prepare-se, pesquise, faça as contas. Experimente aplicar para as vagas antes de sair do Brasil. Muitos profissionais que chegam ao Canadá precisam voltar a estudar para conseguirem revalidação do diploma”, orienta Priscilla. Ela conta que há brasileiros que chegam a levar um ano para conseguirem emprego. “E tem aqueles que desistem por não se adaptarem ao frio e à cultura”, emenda Daniel.

Isso não impede, contudo, que pessoas de diferentes áreas consigam se encaixar. Para a diretora de programas globais de Engenharia da Universidade Texas A&M, Maria Claudia, “os brasileiros que chegam aqui [na universidade] têm um nível técnico alto”, diz ela. “Brasileiros também conseguem ter sucesso em áreas mais subjetivas, como artes e esportes”, completa Magalhães. A história de Maria Claudia ilustra bem essas alternativas.

Tenista na adolescência, a catarinense terminou o ensino médio no Brasil e ganhou bolsa de estudos em Marketing na Universidade Lynn, na Florida, e fez mestrado na Texas A&M com apoio da Fundação Estudar (Brasil) e da própria universidade, trabalhando meio período no campus. Após passar por uma agência de marketing em Miami, foi chamada para uma posição na universidade texana.

Uma amostra do capital intelectual estrangeiro é que 51% das startups norte-americanas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão têm imigrantes em seu quadro de fundadores, segundo a Fundação Nacional de Políticas Americanas. A diretora universitária destaca algumas áreas em ascensão, como saúde e agronegócios. “Os brasileiros têm conhecimentos específicos e necessários nesse campo”, resume.

Antes de tentar imigrar, vale o alerta: nos Estados Unidos, por lei, a preferência de preenchimento de vagas é para cidadãos norte-americanos, explica o diretor da Global Visa. Trabalhar na informalidade é uma opção arriscada. “Essas pessoas se programam para ir e ganhar dinheiro, mas depois, se conseguirem o objetivo, não podem mais voltar para os Estados Unidos, nem a turismo, como punição”, afirma o diretor da Global Visa.

Portanto, o mais recomendado é entrar no mercado por vagas de mestrado e doutorado. “Temos vários casos de estudantes que vieram para os Estados Unidos com a bolsa de mestrado do Programa Ciência Sem Fronteiras, do Governo Federal, e que foram convidados para doutorados patrocinados pelas próprias universidades”, incentiva Maria Claudia.

 

Europa: sem cidadania, com bom currículo

Ter a cidadania de algum país  da União Europeia facilita a entrada? Certamente, mas nada substitui uma boa especialização. Portugal pode ser um ponto de partida, e o caso do curitibano Guilherme Candido Hartmann ilustra bem isso. Com graduação em Ciência da Computação e pós em Jogos Digitais, conseguiu entrar no Mestrado de TI em Coimbra 2006.

“Era um período em que eu podia largar tudo, viajar. A aplicação foi fácil, bastou enviar meu currículo, informações de diploma e histórico escolar. Durante o próprio curso, trabalhei dentro de empresas que ficavam ‘encubadas’ na universidade. Percebi também que o conhecimento técnico do Brasil em tecnologia traz uma base muita boa para os padrões internacionais”, afirma Guilherme.

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Com o diploma em mãos, ele conta que passou um tempo trabalhando na Alemanha, em 2007, antes de voltar ao Brasil. Após seis meses em Curitiba, foi aprovado em uma vaga com seu perfil na Redecard, em São Paulo. Ainda empregado, três anos depois resolveu fazer as malas, desta vez, com destino ao Reino Unido.

Acompanhado da noiva, hoje esposa, eles fizeram o pedido de visto de trabalho sozinhos, pela internet. O Governo Britânico solicitou dados como certificação de proficiência em inglês, entre outros fatores. “Apliquei para visto de mão de obra altamente especializada. Bastaram algumas traduções para fazer uma simulação [de capacidade e avaliação de perfil] online e ter a aprovação. Em menos de duas semanas já estava com o visto em mãos”, relata.

A ideia inicial era fazer MBA fora do Brasil, para trabalhar de dia e estudar a noite. “Arrumei um apartamento perto da London Business School e comecei a ter interatividade com a universidade, a formar contatos e a conhecer os produtos de educação deles. Acabei fazendo um curso de um ano de Educação Executiva em Investimento de Negócios”, conta. A inserção no mercado de trabalho, contudo, não foi das mais fáceis.

“No começo foi difícil, pois precisava de um emprego para ter dinheiro para moradia e a estrutura é muito diferente do Brasil. A falta de experiência no mercado de trabalho britânico é o limitante. Então, aceitei um emprego com o salário de praticamente a metade do que uma pessoa de alta performance ganharia na área de engenharia de softwares. Como a experiência que eu tinha já era de quase 10 anos, fui ganhando novas responsabilidades. Isso ajudou no momento de mudar de empresa”, conta.

Após um ano, Guilherme conseguiu um contrato de prestação de serviços de desenvolvimento de softwares com um grande banco local. E assim está há cinco anos: bem empregado e especializado. Recentemente, inclusive, obteve cidadania inglesa. Mas ele dá a dica para quem quer “pular” fora do Brasil:

“A maneira de trabalhar é muito diferente em cada lugar que passei. Já fiz projetos com franceses, alemães, russos e indianos. Eu me adapto melhor ao estilo inglês, em que a preocupação é unicamente na entrega e não na quantidade de horas de trabalho. Inclusive, quem faz hora extra por aqui pode ser visto como incompetente porque não conseguiu entregar o trabalho durante o expediente”, aconselha.

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Em alguns países, o Brasil acaba sendo um dos maiores exportadores de talentos. Proporcionalmente, os brasileiros são os imigrantes com maior nível de escolaridade na Austrália, segundo estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

No país, 82,6% possuem pelo menos o grau universitário - 51,3% graduação e 31,3% pós-graduação. Comparada aos australianos, a porcentagem de brasileiros com mestrado ou doutorado vivendo na Austrália é de 9,37% contra 1,9%.

Daniel Magalhães, diretor da Global Visa, diz que forma mais fácil de começar a trabalhar na Austrália e na vizinha Nova Zelândia é fazendo cursos de idiomas ou outros, pois há permissão de trabalho enquanto se estuda em ambos os países. A pesquisa da UFF mostra exatamente isso: praticamente 80% dos entrevistados saíram do Brasil com visto de estudante e demonstraram interesse em permanecer no país.

No que depender de Rachel Belle, ela vai “engrossar” essa lista. Após oito anos trabalhando com comunicação empresarial no Brasil, desembarcou em Sidney em 2016 para realizar o sonho de ser chef de cozinha. Ela estudou inglês por cinco meses no país e começou um curso de gastronomia.

“Confesso que está sendo muito melhor que esperava. Consegui emprego como auxiliar de cozinha em um dos restaurantes ‘top 100’ do mundo. Não penso em voltar para o Brasil”, afirma.

Rachel destaca que a segurança e o fator da multicultural contribuem para a imensidão de estrangeiros na Oceania, além da forte necessidade de “importar” profissionais de diversas áreas, conforme as listas divulgadas pelos governos australiano e neozelandês. A cidade de Wellington, na Nova Zelândia, chegou a oferecer viagens gratuitas a profissionais de TI para fazerem turismo e entrevistas de emprego.

 

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Países vizinhos também recebem grande volume de imigrantes do Brasil. O Paraguai, por exemplo, é o segundo país do mundo em que há mais brasileiros: 350 mil. Em toda a América do Sul são 550 mil (tirando o próprio Brasil, claro).

Um facilitador para imigrar é o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Parte do Mercosul, de 2002. Este trâmite é o primeiro passo para poder trabalhar legalmente em um dos países cinco membros do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além de Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru. Os contatos de cada país são encontrados na página oficial do Mercosul.

Na terra dos Andes, outro meio é provar vínculo para garantir visto de trabalho por dois anos, podendo ser renovado. Gerson Vaz é um exemplo. Há pouco mais de dois anos ele deixou Curitiba para assumir o posto de gerente nacional de vendas da GM em Santiago.

“A GM tem alguns programas no exterior em que a oportunidade se dá por necessidade da organização, seja para desenvolver um profissional ou para aproveitar a experiência dos mais ‘rodados’. No meu caso, vim para trazer algumas experiências de vendas”, diz.

Gerson destaca que o mercado automobilístico brasileiro é o maior da América do Sul, o que gera um ganho significativo de experiência em termos de processos de vendas, comunicação com os clientes e relacionamento com as redes de concessionárias. Isto favorece “chamados” desse tipo. “Agora, nos próximos meses, voltarei ao Brasil atendendo a um chamado da empresa”, diz.

Para ele, contudo, não basta estar com a documentação em dia. “Independentemente do país, você tem que, rapidamente se integrar à cultura, falar o idioma, participar das festas, curtir a comida, entender a história. É uma questão de respeito com as pessoas e uma forma de adaptação rápida. Eu, por exemplo, quando cheguei, logo comprei uma camisa da seleção chilena, ‘la Roja’ pois ‘la inchada’ (a torcida) é fanática e assim consegui me aproximar das equipes de trabalho”, orienta o profissional da GM.

Desocupação

Desemprego entre estrangeiros é maior na Europa. Oceania e Estados Unidos possuem índices menores, segundo levantamento da OCDE.

Índice de desemprego entre imigrantes, em %

Fonte: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE. Infografia: Gazeta do Povo.

 

 

Na votação, a Câmara não pôde incluir inovações no texto. Isso porque a proposta, de 1998, já tinha passado uma vez pela Casa, em 2000, e pelo Senado em 2002

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite da última quarta-feira (22/3), projeto de lei de 19 anos atrás que permite terceirização irrestrita em empresas privadas e no serviço público. A proposta também amplia a permissão para contratação de trabalhadores temporários, dos atuais três meses para até nove meses - seis meses, renováveis por mais três.
 
O texto principal do projeto foi aprovado por 231 votos a 188 - quórum menor do que os 308 votos mínimos necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) como a da reforma da Previdência. Houve ainda oito abstenções. Deputados já começaram a votar os destaques ao projeto. 
 
Na votação, a Câmara não pode incluir inovações no texto. Isso porque a proposta, de 1998, já tinha passado uma vez pela Casa, em 2000, e pelo Senado em 2002. Com isso, deputados só puderam escolher se mantinham integral ou parcialmente o texto aprovado pelo Senado ou se retomavam, integral ou parcialmente, a redação da Câmara. 
 
O texto final aprovado, que seguirá para sanção do presidente Michel Temer, autoriza terceirização em todas as atividades, inclusive na atividade-fim. Atualmente, jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TSE) proíbe terceirizar atividade-fim da empresa. Por exemplo, um banco não pode terceirizar os atendentes do caixa.
 
No caso do serviço público, a exceção da terceirização será para atividades que são exercidas por carreiras de Estado, como juízes, promotores, procuradores, auditores, fiscais e policiais Outras funções, mesmo que ligadas a atividade-fim, poderão ser terceirizadas em órgãos ou empresas públicas.
 
O projeto final também regulamentou a responsabilidade "subsidiária" da empresa contratante por débitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores terceirizados, como acontece hoje. Ou seja, a contratante só será acionada a arcar com essas despesas se a cobrança dos débitos da empresa terceirizada contratada fracassar. 
 
O texto que seguiu para sanção prevê ainda um escalonamento do capital social mínimo exigido de uma empresa de terceirização, de acordo com o número de funcionários. O capital social mínimo exigido vai de R$ 10 mil, para companhias com até 10 funcionários, a R$ 250 mil, para empresas com mais de 100 trabalhadores.
 
Hoje, não há essa exigência na iniciativa privada. Já no serviço público, a empresa contratante é que determina na hora da contratação qual deve ser o capital social mínimo da companhia de terceirizados. Inicialmente inserida na proposta, a anistia de "débitos, penalidades e multas" impostas até agora às empresas foi retirada do texto pelo relator para facilitar a aprovação do projeto. O governo era contra a medida. Segundo o relator do projeto na Câmara, Laércio Oliveira (SD-SE), essas dívidas hoje somam R$ 12 bilhões. 
 
A oposição criticou a votação do projeto, sob o argumento de que representa um retrocesso e prejudica os trabalhadores. Opositores tentaram negociar, sem sucesso, o adiamento da votação. Eles queriam que, em vez da proposta de 1998, fosse votado um projeto de 2015 que regulamenta a terceirização, já foi votado na Câmara e está parado no Senado. 
 
Na avaliação de deputados da oposição e das centrais sindicais, a proposta mais recente oferece mais salvaguardas aos trabalhadores. O projeto de 2015 traz garantias, como a proibição de a empresa contratar como terceirizado um funcionário que trabalhou nela como CLT nos últimos 12 meses. 
 
Para opositores, a aprovação do projeto anula a reforma trabalhista que está em discussão na Câmara. "Se a terceirização for votada hoje, ela anula esta comissão. Se for votada, a reforma trabalhista vai perder muito o sentido", disse o deputado Paulão (PT-AL). 
 
O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), por sua vez, saiu em defesa da proposta. Segundo ele, o projeto vai permitir a geração de empregos. "O Brasil mudou, mas ainda temos uma legislação arcaica. Queremos avançar em uma relação que não tira emprego de ninguém, que não vai enfraquecer sindicatos", disse.

O Porto de Cabedelo deve movimentar até o fim de março mais de 78 mil toneladas de produtos, incluindo derivados de petróleo, malte, trigo, petcoke e granito. Nessa última terça-feira (21) atracou o navio Boston Harmony, de bandeira panamenha, com 12 mil toneladas de trigo. A carga veio da Argentina para abastecer o mercado paraibano.

Até o fim do mês, devem atracar no Porto de Cabedelo os navios You & Island, vindo dos Estados Unidos com 29,3 mil toneladas de petcoke; o navio Dian Bolten, que vem de Houston (EUA), com 30,3 mil toneladas petcoke. De Cabedelo partirá o navio Donaugracht, que embarcará para a Itália 2.000 toneladas de granito extraído na região de Santa Luzia, sertão paraibano. Já o navio Ourana deve atracar no dia 30 com 4.500 toneladas de malte para a indústria cervejeira.

Neste mês de março, atracaram no Porto de Cabedelo o navio Rimar, que trouxe de Fortaleza 4 mil toneladas de derivados de petróleo, além do navio Grazia, trouxe dos Estados Unidos 6,1 mil toneladas de derivado de petróleo. O Stena Progress desembarcou outras 8,9 mil toneladas de derivados de petróleo.

O navio Minas, procedente do Uruguai, desembarcou 7,1 mil toneladas de malte. O navio José Alencar trouxe de Fortaleza 4,7 mil toneladas de derivados de petróleo. O Porto de Cabedelo também recebeu procedente de Belém do Pará o navio Triunfo da Marinha do Brasil. E no dia 19 atracou o navio Stena Progress com 3,2 mil toneladas de derivados de petróleo.

O Porto de Cabedelo é administrado pela Companhia Docas da Paraíba que tem como presidente Gilmara Temóteo.

 

Fonte: Secom-PB

 

Os R$150 milhões resgatados ainda aguardam destinação. "Sem a colaboração premiada, não teríamos nem um décimo desse valor" destacou o procurador Eduardo El Hage

 

O governo do Rio recebeu no último dia (21) cerca de R$ 250 milhões que foram recuperados no esquema de desvio de recursos liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Os recursos serão usados para pagar o décimo terceiro salário de 2016 de cerca de 147 mil aposentados e pensionistas, com vencimentos de até R$ 3,2 mil, que representam 57% dos inativos. A cerimônia de devolução ocorreu no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), no centro da capital fluminense, na presença do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"É triste verificar que um estado como o Rio de Janeiro atravessa uma crise política, econômica, financeira e ética. E, quando o Rio de Janeiro dobra o joelho, o Brasil dobra o joelho. Isto é muito grave", declarou Rodrigo Janot no evento, ao afirmar que a corrupção que assola o país é insana.

"A única forma de reagir a isto é por meio da institucionalidade. Este ato hoje serve também para mostrar que as instituições funcionam. Este dinheiro volta para onde nunca deveria ter saído, volta a servir, como sempre deveria ter feito, à sociedade do estado do Rio de Janeiro", disse.

A repatriação foi possível por meio de acordo de colaboração premiada com dois réus, que devolveram cerca de US$ 85,3 milhões. As investigações revelaram, até o momento, que mais de R$ 400 milhões foram movimentados no exterior pelos envolvidos no esquema criminoso.

E R$150 milhões resgatados ainda aguardam destinação. "Sem a colaboração premiada, não teríamos nem um décimo desse valor", destacou o procurador Eduardo El Hage, integrante da equipe do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) que investiga o caso. Cerca 80% desse valor foram desviados por Sérgio Cabral, de acordo com as investigações.

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, não compareceu à solenidade e foi representado pelo procurador-geral do estado, Leonardo Espíndola.

De acordo com a força-tarefa do MPF-RJ, as investigações continuam, e há mais dinheiro ocultado pela organização criminosa da qual Cabral é acusado de ser o líder.

Sérgio Cabral foi preso no final do ano passado, na chamada Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato, junto com assessores e outros acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cabral está preso Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Edição: Valéria Aguiar

A PF conseguiu fazer em dois anos o que o Ministério da Agricultura não fez em dez

O fiscal agropecuário federal Daniel Gouveia Teixeira, responsável por denúncias que levaram à Operação Carne Fraca, afirmou que há uma série de irregularidades ainda não reveladas pela Polícia Federal (PF). Em entrevista à Rádio Eldorado nesta quarta-feira, 22, Teixeira ressaltou que o pagamento de propina é frequente no processo de fiscalização da carne. "Não foi mostrado nem 1% do que foi descoberto pela Polícia Federal", disse.

O servidor do Ministério da Agricultura, que foi transferido de função desde o início das investigações, atribui as falhas à ingerência decorrente de indicações políticas. "É a interferência de políticos para tirar e colocar fiscais mais rigorosos em locais que não atrapalhassem interesses das empresas", relatou.

Teixeira também revelou que havia denúncias relacionadas ao setor engavetadas há cerca de dez anos. "A PF conseguiu fazer em dois anos o que o Ministério da Agricultura não fez em dez", garante.

Apesar de denunciar o envolvimento de colegas e frigoríficos nos casos de corrupção, o fiscal tranquiliza a população em relação ao consumo da carne produzida no País. "Não é motivo de pânico. A população tem de conhecer o produto, verificar se é fiscalizado. 90% dos meus colegas são pessoas honestas e qualificadas que trabalham para garantir a qualidade dos produtos."

Teixeira ainda afirmou que as irregularidades foram registradas ao longo de vários governos, ao menos desde o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e que não houve mudança após o PMDB assumir o Planalto. O delator disse não ter conhecimento de qualquer associação ou formação de cartel por parte dos frigoríficos que pagavam propina a servidores federais Ele criticou ainda as tentativas de minimizar a importância da Operação Carne Fraca.

O funcionário representa a categoria como delegado sindical, mas garante não ser filiado a nenhum partido político. Ele recebe segurança da Polícia Federal e de outros órgãos de segurança do Paraná desde o início da operação, há dois anos e meio.

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JR Esquadrias