Religião (13)

papa Francisco anunciou nesta segunda-feira, durante o Consistório Ordinário Público, a data de canonização da Irmã Dulce. A canonização será celebrada no domingo, 13 de outubro de 2019, no Vaticano, durante o Sínodo para a Amazônia.

Durante o Consistório, o pontífice anunciou a canonização de cinco beatos. Além de Irmã Dulce, serão canonizados os beatos John Henry Newman, cardeal, fundador do Oratório de São Filipe Néri na Inglaterra; Giuseppina Vannini (no século Giuditta Adelaide Agata), fundadora das Filhas de São Camilo; Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, fundadora da Congregação das Irmãs da Sagrada Família e Margherita Bays, Virgem, da Ordem Terceira de São Francisco de Assis.

Irmã Dulce se torna santa apenas 27 anos após seu falecimento. Só a santificação do papa João Paulo II, nove após sua morte, e de madre Teresa de Calcutá, 19 anos após o falecimento, exigiram menos tempo. Irmã Dulce será a primeira santa nascida no Brasil, que até agora só tem um santo brasileiro de nascimento - Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o Frei Galvão.

papa Francisco autorizou a promulgação do decreto de canonização no dia 14 de maio, em audiência com o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Becciu, após o reconhecimento do segundo milagre da freira. Embora não tenham sido divulgados detalhes, a arquidiocese confirmou que o milagre seria a cura de uma pessoa cega.

Conforme o arcebispo, o milagre validado pelo Vaticano passou por três etapas de avaliação, incluindo o aval científico dado por peritos médicos, os pareceres de teólogos e a aprovação final pelo colégio cardinalício. “É importante ressaltar que uma graça só é considerada milagre após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; e a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter preternatural, não explicado pela ciência”, informou.

Fonte Da internet

 

Theodore McCarrick ocupou posições de destaque na Igreja Católica dos Estados Unidos até ser denunciado por meninos e seminaristas

papa Francisco aceitou neste sábado a renúncia do cardeal americano Theodore McCarrick como membro do Colégio de Cardeais. Acusado de ter cometido abusos sexuais, o cardeal foi orientado a manter “uma vida de orações e penitência” em uma casa a ser designada pelo pontífice até que o julgamento da igreja seja realizado, informou o Vaticano.

Francisco reagiu rapidamente após receber a carta de renúncia de McCarrick na tarde de sexta-feira, diante de uma série de acusações contra o cardeal de 88 anos de idade. Segundo relatos de vítimas, ele teria abusado sexualmente de meninos e seminaristas durante a sua carreira clerical. As revelações testam as recentes declarações do pontífice sobre combate ao que ele chamou de “cultura do acobertamento” de abusos na hierarquia da Igreja Católica.

McCarrick está afastado de suas funções desde 20 de junho, enquanto a polícia investiga alegações de que ele teria acariciado um adolescente há 40 anos, em Nova York. A vítima, que tinha 11 anos na época dos abusos, afirma que o relacionamento abusivo continuou por mais duas décadas. McCarrick tem negado as acusações.

Em sua longa carreira, o sacerdote ocupou diversas posições na Igreja Católica dos EUA. Antes de chegar a Washington, capital do país e cidade onde o embaixador papal para os EUA está baseado, McCarrick foi auxiliar do bispo da cidade de Nova York, bispo em Metuchen, Nova Jersey e arcebispo de Newark, Nova Jersey.

Embora a maior parte dos escândalos de pedofilia dentro do clero envolva padres, as denúncias também têm atingido bispos e cardeais, incluindo o cardeal George Pell, da Austrália, um dos conselheiros mais próximos do papa Francisco e que agora é alvo de um processo criminal em seu país.

No caso do cardeal escocês Keith O’Brien, acusado por ex-seminaristas em 2013 de má conduta sexual, Francisco só aceitou a renúncia após a promotoria do Vaticano ter concluído as investigações, dois anos após o surgimento das primeiras denúncias.

 

 

 
 

 

O Tribunal do Vaticano condenou neste sábado (23) a cinco anos de prisão o sacerdote Carlos Alberto Capella, ex-conselheiro da Nunciatura de Washington, nos Estados Unidos, por posse e troca de material pornográfico infantil.
 
O julgamento começou  no último dia (22), mas a decisão foi tomada hoje. O promotor Gian Piero Milano tinha pedido uma pena de cinco anos e nove meses de prisão, enquanto a defesa solicitava a condenação mínima, sem especificar o período que o acusado ficaria detido.
 
A Promotoria do Vaticano argumentou que Capella deveria ser condenado porque possuía grande quantidade de fotos e vídeos com menores em atos sexuais explícitos. Ele era acusado da posse e transmissão das imagens, já que havia feito postagens do material em um blog criado na plataforma Tumblr.
 
A defesa afirmou que o comportamento de Capella não é sinal “periculosidade”, mas sim de um “problema psicológico”. Para comprovar a tese, os advogados do sacerdote apresentaram uma avaliação que mostrava que ele não revelava “tendências de pedofilia” e sofria de “problemas relativos à sua fragilidade”.
 
Capella teve a oportunidade de falar no julgamento antes da sentença e disse estar arrependido. Ele também afirmou que esperava que a situação fosse considerada com um incidente no caminho de sua vida sacerdotal.
 
 
Fonte:  Assessoria
 

 

Pontífice pediu que os dois governos sigam colaborando pelo bem de seus povos e do mundo

O papa Francisco elogiou o acordo firmado entre Coreia do Sul e Coreia do Norte depois da histórica cúpula da última sexta-feira e pediu que os dois governos sigam colaborando pelo bem de seus povos e do mundo. O pontífice comemorou o “resultado positivo” do “valente” acordo em mensagem aos fiéis que se reuniram hoje na Praça de São Pedro.

 

“Acompanho com orações o resultado positivo da cúpula intercoreana da sexta-feira e o valente compromisso assumido pelos líderes das duas partes para promover um processo de diálogo sincero por uma península coreana livre de armas nucleares”, disse o papa, sendo aplaudido pelos fiéis no Vaticano.
 
 
Fonte : Jornaldeluzilandia
 
 
 

 O evento  este ano  está marcado para acontecer no dia 25 do próximo mês, tem como tema “No Sim de Maria, Deus restaurou a criação. Ó Mãe, ensina-nos a viver em comunhão e a preservar o meio ambiente”

A Arquidiocese da Paraíba já se prepara para a 254ª Romaria da Penha, realizada sempre na noite do último sábado do mês de novembro. Este ano, o evento que está marcado para acontecer no dia 25 do próximo mês, tem como tema “No Sim de Maria, Deus restaurou a criação. Ó Mãe, ensina-nos a viver em comunhão e a preservar o meio ambiente”.

O Tríduo (três noites de celebração) que antecede a romaria será iniciado no dia 22 de novembro, às 18h30, com o Terço Mariano no Santuário da Penha.

A programação começa com o Tríduo (três noites de celebração) em Honra e Preparação para a Romaria. Será no Santuário localizado na Praia da Penha, em João Pessoa. Às 19h15, uma procissão leva a imagem de Nossa Senhora da Penha até o Santuário. A saída do cortejo se dá de uma rua que dá acesso ao local. Já por volta das 19h30 tem início a celebração eucarística. 

No dia 23, segunda noite do Tríduo, será realizado o Terço Mariano. A programação está marcada para ter início às 18h45. Às 19h30 terá início a celebração eucarística, com o tema “Deus restaurou a criação”. Por volta das 20h30, está prevista a apresentação de grupos culturais e, às 22h, shows com artistas regionais.

Na terceira e última noite do Tríduo, a programação começa às 18h45, com o Terço Mariano. Às 19h30 haverá celebração eucarística, cujo tem é “Viver em comunhão e preservar o meio ambiente”.

No dia da Romaria, a programação começa às 6h, com o Ofício de Nossa Senhora. Ao meio-dia, está prevista a chegada da imagem de Nossa Senhora da Penha ao Santuário (a imagem vai passar a manhã, fora do Santuário, sendo preparada para ser colocada no andor), seguida de Oração do Ângelus e Catequese Mariana. 

Por volta das 16h, haverá o Terço, e às 17h, uma carreata de levará a imagem da santa para a igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no Centro da Capital, de onde, às 22h, começa a romaria.

A bênção de envio dos romeiros deverá ser feita pelo Arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Manoel Delson. O percurso será o mesmo do ano passado. Às 22h, no Santuário, terá uma Noite de Louvor.

De acordo com a Arquidiocese, a romaria deve chegar por volta das 4h do domingo (26) ao santuário, onde será celebrada uma missa campal pelo arcebispo.

 

Fonte:PortaldaCorreio

 

O líder Católoco Jorge Mario Bergolio bateu o rosto no vidro do veículo

 

O papa Francisco explicou nesta segunda-feira (11) que machucou seu rosto no vidro do papamóvel, justificando a ferida com a qual apareceu durante sua viagem à cidade de Cartagena das Índias, na Colômbia. 

"Abaixei para cumprimentar as crianças e não vi o vidro. Pum!", disse o líder católico, aos 80 anos, em uma conversa com jornalistas dentro do avião papal, enquanto voltava hoje para Roma, após uma visita de cinco dias pela Colômbia.

 

Francisco tinha preocupado a imprensa internacional ao aparecer com um ferimento perto do olho esquerdo, com um corte e um hematoma. No avião que o levou de volta para Itália, o Papa explicou o ocorrido e afastou dúvidas sobre um possível incidente mais sério ou alguma agressão vinda do público.                                                                                                                                                                                                   Logo após se ferir no vidro do papamóvel, Francisco recebeu o apoio de um segurança, que lhe ofereceu um lenço para limpar o sangue dos olhos. A roupa branca do Papa também ficou manchada com gotas de sangue. Francisco, no entanto, continuou sua visita como se nada tivesse ocorrido.

O arcebispo emérito da Paraíba, Dom José Maria Pires, 98 anos, morreu na noite desse domingo (27) após passar mal em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais  o  corpo de Dom José Maria Pires vai ser velado e enterrado nesta segunda-feira (28), em Belo Horizonte.

O arcebispo emérito da Paraíba, Dom José Maria Pires, 98 anos, morreu na noite desse domingo (27) após passar mal em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. O sacerdote vinha enfrentado problemas de saúde desde que foi acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dom José morre no dia em que Dom Helder Câmara morreu há 18 anos. Os dois eram muito ligados.

Amigos ligados ao arcebispo disseram que ele tinha viagem marcada para João Pessoa onde participaria de um evento religioso, mas a viagem foi cancelada depois que o médico que o acompanhava o proibiu devido a fragilidade do quadro de saúde.

O corpo de Dom José Maria Pires vai ser velado e enterrado nesta segunda-feira (28), em Belo Horizonte. Até a publicação dessa reportagem ainda não tinha sido divulgada causa da morte do religioso.

Em março deste ano, o governador Ricardo Coutinho (PSB) anunciou a disposição de dar o nome do arcebispo emérito ao Hospital Metropolitano, em construção em Santa Rita. Ele é o segundo arcebispo emérito da Paraíba falecido neste ano. O outro foi dom Marcelo Cavaleira.

DOM JOSÉ MARIA PIRES
A trajetória de um bispo do povo

Dom José Maria Pires recorda que, durante a ditadura militar, após o Concílio Vaticano II, a Igreja assumiu o compromisso de se voltar para os pobres, o que representava também mudança no estilo de vida dos religiosos
A mãe tinha sangue africano e cigano. O pai veio de família portuguesa. Na trajetória em defesa dos negros e oprimidos, dom José Maria Pires também ficou conhecido como dom Pelé e dom Zumbi. Aos 96 anos, o arcebispo emérito da Paraíba viaja pelo País para falar do Concílio Vaticano II, encerrado em 1965. É dos poucos padres conciliares vivos no Brasil.                                                                                                                                                                                                                                            
Nascido em Minas Gerais, uniu a calma do mineiro à franqueza do nordestino para defender os mais pobres durante a ditadura militar. Teve no cearense dom Helder Câmara um amigo pessoal e aliado na luta pelos direitos humanos. Em entrevista ao O POVO, relembra o pacto firmado pela Igreja em alcançar os mais fracos e perseguir a simplicidade. Depois de 50 anos da última conferência, vê que é preciso uma conversão à mensagem do concílio.

O POVO – De onde vêm os apelidos de dom Pelé e dom Zumbi?
Dom José Maria Pires – Quando fui ordenado bispo, em 1957, eu era o único bispo negro no episcopado brasileiro. Foi a época em que Pelé estava no auge, jovenzinho. Numa das nossas reuniões, entrei um pouquinho atrasado com outro bispo. Quando entrei, eles disseram: “Feola (Vicente Feola, ex-jogador da seleção brasileira), que era um gorducho, e Pelé”. Então começaram a me chamar de Pelé.

OP – E o Zumbi veio como?
Dom José – Zumbi foi na Serra da Barriga (Alagoas), no centenário da abolição da escravatura. Nós fizemos uma romaria até a serra, que era a sede do Quilombo dos Palmares. Aí dom Pedro Casaldáliga (bispo emérito de São Félix do Araguaia) diz: “Olha, Zé Maria. Pelé não faz nada pelos negros. Você vive lutando pela negritude. Então vamos mudar seu nome de Pelé para Zumbi porque ele também deu a vida pela negritude”. A partir daí me chamaram de dom Zumbi.

OP – E estes apelidos agradam?
Dom José – Não, para mim é indiferente. Uns me chamam de José, outros de Zé Maria. Eu respondo por tudo isso (risos).

OP – O senhor entrou para o seminário ainda novo?
Dom José – Eu fiz 12 anos já no seminário. Naquele tempo, a gente terminava a escola primária e entrava logo no seminário. Toda a parte do ginasial a gente já fazia lá.

OP – Neste início dos estudos, como um menino negro e de origem humilde, o senhor enfrentou dificuldades ou discriminação?
Dom José – A gente nem achava que era discriminação. Minas Gerais tem uma população de negros muito alta. Por ter sido terra de mineração, sobretudo de diamante, então foram multidões de escravos para lá trabalhar na terra. E o negro lá é coisa normal. Agora, realmente os brancos fazem a sua acepção e sua distinção. Por exemplo, no meu primeiro ano de seminário, com 12 anos, tive um desentendimento com um colega meu. Nós brigamos, veio o responsável, nos separou e nos colocou de castigo. Ficamos de joelhos no corredor. Aí passou o diretor da casa, nos viu ali e chamou o responsável. “O que esses meninos fizeram?”. Disse: “Eles brigaram”. Aí o diretor: “Esse aqui é um menino muito bom, de boa família. Esse negro que não presta” (risos). A visão era essa e nós aceitávamos. A gente achava que negro era inferior. Só depois é que a gente veio ver que não era bem assim. Negro é diferente. Ele não é nem superior nem inferior, é diferente.

OP – Em 1965, você foi transferido para João Pessoa. Entrar em contato com as pessoas na Paraíba trouxe mais a visão de uma Igreja voltada para os pobres? Ou isso já fazia parte do seu trabalho em Minas Gerais?
Dom José – Fazia em parte. Porque naquele período havia uma distinção social muito forte entre Minas Gerais, que estava no Sul, e o Nordeste. Mineiro é muito calmo, retraído. É uma diferença marcante. Já o nordestino, é tudo amplo… Você chega e conversa com ele meia hora, você já sabe a vida toda dele. E houve um problema na Igreja no Nordeste porque, ainda durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), houve uma divisão muito grande em algumas dioceses. Uma delas foi a da Paraíba. O clero estava dividido, quase na metade. O arcebispo tinha 62 anos, mas estava sem condições de trabalhar. Então era necessário providenciar alguém que fosse novo e tivesse condições de enfrentar aquela situação.

OP – Que divisão era essa? Eram duas visões distintas de igreja?
Dom José – O Concílio Vaticano II projetou uma nova imagem de igreja e uma nova imagem do padre. Antes, o padre andava de batina, celebrava a missa e fazia batizado em latim. Devia ser um sujeito bem afastado, celebrava de costas para o povo. O Concílio projeta uma imagem diferente. É aquele que é social, conversa com todo mundo, se aproxima. Então um grupo de padres mais velhos fica nesse rito antigo, os padres mais novos não. Então dá uma confusão tremenda. No Nordeste, tinha isso. O que a Santa Sé faz? Pega um que nem conhecia o Nordeste. Então me tiram de Araçuaí (Minas Gerais) e me manda para lá. Então pelo fato de ser mineiro e de não conhecer nada lá, eu entro assim sem preocupação nenhuma. Eu não tomava providência nenhuma e deixava que os padres fizessem isso. Realmente foi interessante para eles, mas dava para unir. Porque o bispo não era nem de um lado nem de outro. A gente conseguiu trabalhar. Não era mérito mesmo, é a mineirice. Ser um pouco diferente deles mudou a situação. E eu fui virando paraibano.

OP – É na Paraíba que o senhor passa a conhecer dom Helder Câmara?
Dom José – Eu já conhecia desde que fui eleito bispo. Mas era um conhecimento assim muito genérico, naquela multidão de bispos. Quando eu vim pra Paraíba, aí foi diferente. Eu era o vizinho mais próximo dele.

OP – O processo de beatificação de dom Helder já iniciou, já existe a comissão colhendo depoimentos sobre ele…
Dom José – (interrompendo) Eu fui o primeiro a dar o depoimento.

OP – Este depoimento é sigiloso, mas o que o senhor pode falar de dom Helder às pessoas?
Dom José – Posso falar tudo (risos). Era um grande padre, grande bispo. Uma capacidade de entender as pessoas, de conviver. Era autoridade, mas nunca exerceu autoridade. Ele nunca presidiu uma sessão do Regional 2 (divisão da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Ele que era presidente. Quem presidia era o auxiliar dele, dom José Lamartine. Ele ficava lá atrás como um dos outros bispos. De vez em quando, se levantava e dizia: “Mas, meus irmãos…”. E aí vinha com a visão dele, que era magistral. Tinha um bom relacionamento com o povo. Onde já se viu um arcebispo de uma cidade como Recife não ter carro? Não ter secretário, comida em casa? Realmente era um testemunho maravilhoso. Pelo fato de eu ser o vizinho mais próximo dele, tínhamos muito contato pra poder ver como as coisas podiam caminhar. Tive uma amizade profunda com dom Helder.

OP – Pela atuação em defesa do povo durante a ditadura militar, as pessoas ainda se referem a vocês como arcebispos vermelhos. A que se deve este título e a ideia de que vocês estavam numa ala progressista na Igreja?
Dom José – Tudo dependia muito da região do Brasil. Lá no Sul, eles não tinham os problemas que tínhamos no Nordeste. Os bispos do Sul eram muito mais acomodados. E não acreditavam em muita coisa que a gente dizia. Recife, por exemplo, era um caldeirão. Era aquela ebulição constante. Essa foi a primeira razão. A segunda é que o fato de a gente viver no Nordeste, vendo a situação do povo, mexia muito com a gente. Por quê? Pobre tinha lá no Sul também. Só que no Nordeste não era pobre, era o empobrecido. Tinha que dar condições pra pessoa se desenvolver. Lá no Sul não: o sujeito quer trabalhar, tem uma terra pra ele trabalhar. No Nordeste, se quer trabalhar, não tem terra nem nada, é uma espécie de escravidão. Isso muda completamente a visão da gente. Você está acostumado a uma região onde se tem uma boa convivência. Você vem pra uma que é guerra, não é? Isso obriga muito a gente a tomar posição. Com dom Helder foi a mesma coisa. Ele foi bispo do Rio de Janeiro. Durante o Congresso Eucarístico Internacional (1955), ele estava no Rio animando. Aí depois, é transferido pro Nordeste. Muda a linguagem dele, muda a atuação. Por quê? Somos arcebispos do povo. Então se o povo está em sofrimento, tem que mudar a cabeça da gente.

OP – E qual era a forma de a Igreja chegar perto dos menos favorecidos e atuar na defesa delas?
Dom José – Foi o que ela faz a partir do Concílio Vaticano II. Houve fatos muito sérios naquele período, de 1964 e 1965. O primeiro para nós foi a ditadura militar. E para a Igreja, o encerramento do Concílio Vaticano II. Então a gente sai do Concílio com aquele entusiasmo, querendo que a Igreja seja dos pobres. Aí um grupo de 42 bispos vai celebrar nas catacumbas de Roma e assina um compromisso de ter a Igreja dos pobres. Isso era dizer: “Nós, bispos, não vamos morar mais em palácio, não vamos ter nenhum objeto de ouro. Quem tiver cruz de ouro vai vender, vai doar”. Simplicidade, não é? Dar uma atenção especial às famílias mais simples. Ao invés de ficar com as mais importantes. Muda não só a cabeça, muda também o estilo de vida. Isso, para os que estão no poder, é comunismo (risos). Mas a gente não se incomodava com isso. Chamavam dom Helder de bispo vermelho, escreviam no muro da casa dele. Isso não incomodava.

OP – E fazia com que vocês parassem de agir pelo povo?
Dom José – Não. Dom Helder fazia coisas inacreditáveis para um arcebispo de Olinda e de Recife. Nós estávamos lá em assembleia do Regional Nordeste 2, do qual ele era presidente. Chegam as pessoas do Interior e avisam que os proprietários daquela área tinha mandado abrir a cerca perto de onde moravam os mais simples, onde havia as plantações deles, para soltar o gado ali. Dom Helder procurou se informar se aquilo era verdade. E era. Aí disse: “E nós vamos continuar aqui na nossa reunião? Deixando o povo sofrer desse jeito? Temos que fazer alguma coisa”. Dom Helder nunca decidia o que fazer, ele jogava o problema, e a gente discutia. Daí é que saía a solução. Saía do encontro das opiniões. O resultado foi: “Tem que alguém ir lá e dar apoio ao povo”. Então fomos quatro bispos. Eu dirigindo um Fusca, dom Helder ao meu lado. Quando chegamos lá, estava montada aquela coisa, tinha mais de cem soldados. Logo veio um dos comandantes cumprimentar dom Helder. Quando viram os bispos entrando, as pessoas se animaram. Estava todo mundo acuado nas suas casas, e o gado comendo tudo. O pessoal sai das casas, e dom Helder começa a recitar com eles os mandamentos da não-violência. Dom Helder gritava: ‘Primeiro”. O pessoal dizia: “Nunca matar”. “Segundo”. “Nunca ferir” e por aí vai. Terminaram os mandamentos, dom Helder disse: “Agora vamos tirar o gado”. Chega um militar e diz: “Isso o senhor não pode fazer”. Ele diz: “Então vai deixar o gado comendo a plantação do povo?”. O militar diz: “Mas isso é o proprietário que tem de fazer”. Mas foi o proprietário que mandou abrir a cerca e mandou a polícia para garantir aquilo. Dom Helder não discutiu mais. Pegou uma maniva, aquela barrinha da mandioca, e disse: “Nós vamos tocar o gado é devagarzinho. Porque o gado comeu muita mandioca e pode se sentir mal se correr. Vamos devagarzinho, não é?”. Pronto, fomos nós quatro tangendo o gado. Era uma coisa muito simbólica.

OP – E com a sua atuação na arquidiocese da Paraíba, o senhor sofreu alguma perseguição na ditadura militar?
Dom José – Perseguição não. Dom Helder e eu tivemos restrições. Por exemplo, dom Helder fazia muitas viagens ao exterior. E seguravam o passaporte dele. Naquela época, o passaporte era só para aquela viagem. O passaporte ficava com a Polícia Federal. Quando era quase na hora da viagem, chegava alguém lá com o passaporte dele. Era uma pressão que se fazia sobre ele. Faziam uma pressão também sobre nós violando nossa correspondência. Você via claramente. Havia esse tipo de perseguição, depois intimidação. Eu marquei uma visita à Nação Potiguara, que são uns índios que têm todo um município lá na Paraíba. Chegou um funcionário da polícia e disse: “O senhor tem autorização para entrar lá na área indígena?”. Eu disse: “Não, não preciso de autorização”. Ele disse: “Ah, precisa”. Eu disse: “Mas eu não vou lá fazer visita qualquer, vou fazer visita pastoral. Sou o arcebispo, então vou visitar”. O policial disse: “Ah, mas se o senhor não tiver autorização do Exército, o senhor não entra lá”. Eu disse: “Tá bom”. Chegamos lá com uma freira e outro rapaz, estava a polícia. Pediram meus documentos. Entreguei, eles viram e abriram a cancela. O que eles faziam muito era intimidar a gente. Se você cedesse, era vitória deles. Mas se você insistisse, eles não tinham coragem de enfrentar. Foi um tempo muito interessante (risos).

OP – Nesse período foi fundado o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, em 1971. Essa instituição era ligada à arquidiocese? Em que ela ajudava as pessoas?
Dom José – Nosso centro de defesa foi o primeiro que surgiu na América. O Concílio insistiu muito sobre a questão dos direitos humanos, nos direitos da pessoa, os valores da pessoa, inclusive na Igreja. E como a gente vai ajudar a pessoa, se sobretudo os pobres é que estão sendo mais atingidos? Então você recorria a um advogado para defender fulano de tal que foi preso. Mas não dava porque precisaria de gente que tomasse isso a sério. Então a diocese da Paraíba resolveu contratar um advogado pra ficar só por essa conta. Aí começou o Centro de Direitos Humanos. Tínhamos agora advogado, um daqueles que não fica esperando a coisa aparecer. O problema é de terra naquele lugar, ele vai lá para conhecer, passa bastante tempo ali e tem os dados todos para poder tomar defesa. Foi uma bênção pra aquele pessoal pobre saber que tinha um advogado. E alguns casos não davam para o advogado resolver, tinha ser coisa do Exército. Ele dava uma carta ao fulano para ir ao Grupamento de Engenharia. Então o cidadão chegava e dizia: “Olha, essa é uma carta pro comandante”. O comandante lia a carta, era do advogado. Rasgava a carta e dizia: “Quando você tiver problema, não precisa ir lá naquele comunista não”.

OP – Até hoje o senhor é chamado nos encontros para falar sobre o Concílio Vaticano II. Além de mudanças na imagem de um padre e na proximidade com as pessoas, que mudança o senhor destaca na atuação da Igreja?
Dom José – Não é questão de mudar. Toda aquela doutrina de antes continua válida. Você agora vai colocar o foco nessas coisas que estão sendo importantes para o povo. Antes, a imagem da Igreja era como se fosse uma pirâmide. Lá em cima está o papa, depois vêm os bispos, os padres, os religiosos e lá na base está o povo. Vaticano II projetou uma outra imagem. Igreja é povo. Tá tudo aqui, não tem ninguém lá em cima. Aqui tá o papa, os bispos. Cada um com a sua função. É como numa sociedade: as pessoas têm autoridade exatamente para exercer aquela função. Na Igreja, tem alguns que são destacados para ser autoridade em benefício da caminhada. Igreja é povo de Deus a caminho. Não é estática, não é uma instituição que está aí parada. Nessa caminhada, tem mudanças constantes. A Igreja está pronta para estas mudanças. Nessa caminhada, você precisa de alimento para a estrada. Grande alimento é oração e eucaristia. E a eucaristia não é prêmio para as pessoas piedosas, é alimento pra quem tá viajando. Então muda completamente. Não nega as coisas antigas, mas projeta pra hoje uma imagem diferente de Igreja.

OP – Esta teoria e esta imagem pensada durante o Concílio foi aplicada?
Dom José – Ela não foi pensada durante o Concílio. Essa é a imagem original da Igreja. As comunidades apostólicas começaram desse jeito. O que a gente está fazendo depois do Concílio é aquilo que São João XXIII chamou de refontização. Voltar às fontes. Como era a Igreja no começo? Como ela nasceu? Vamos voltar às fontes. Agora, a teoria fala das fontes. Mas acontece que, com o passar dos séculos, as coisas mudam. Hoje as mulheres não se vestem mais como se vestiam naquele período. Então temos que atualizar. A Igreja então tem que ser fiel àquele começo, mas atualizada. Você vai conservar o ardor, mas vai usar as possibilidades de atualização daquilo.

OP – E como ficou o diálogo da Igreja com outras denominações cristãs? O Concílio abordou o ecumenismo. Foi importante falar sobre isso?
Dom José – Olha, antes ecumenismo era uma coisa um tanto teórica. Com o Vaticano II, vem a coisa prática. A gente vai se encontrar porque tem alguma coisa em comum entre nós. Por exemplo, todo ano temos um encontro de bispos e pastores evangélicos. O que é comum entre nós? A Bíblia. Se é a Bíblia, de manhã a gente tem que ter uma celebração da palavra. E quem preside é um protestante. De tarde, tem uma celebração da eucaristia. Quem preside é um bispo. E todos assistem. E durante o dia nós vamos discutir assuntos que dizem respeito à sociedade. Por exemplo, a gente falava da violência. Interessa ao protestante e ao católico que as pessoas se entendam e se aproximem.

OP – Você tem da mãe a descendência africana. No diálogo com outras religiões, como você vê a espiritualidade de milhões de negros no Brasil que têm herança do catolicismo e da cultura africana, mesclando devoção aos santos e aos orixás?
Dom José – No começo, a Igreja condenou tudo isso. Porque ela entrou no Brasil e na América através dos que vieram da Europa. Eles eram católicos, todos. Eles achavam que religião era aquilo, tinha que ser desse modo. Quem não praticasse daquele jeito, naquele estilo, estava fora. As coisas de índio eram consideradas como superstição. As coisas de negro eram superstição. Então joga o fora o candomblé. Vai passando o tempo, e a gente então vai descobrindo que realmente Deus está presente nessas culturas todas. Você tinha que respeitar a cultura diferente. Não foi fácil. Em 1992, a gente ainda teve uma discussão forte sobre isso em Santo Domingo, na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano. A gente viu que o que a Igreja crê é na inculturação da fé, do evangelho. Eu não posso viver a minha fé do mesmo modo que vive um sujeito lá da Europa, que tem um estilo de vida completamente diferente. A fé é a mesma, a maneira de viver é diferente. Para o europeu rezar, quanto mais calmo tiver, melhor. Para o negro, não. Quanto mais dançar, mais ele acha que está louvando a Deus com suas danças e batuques. Até 1992, não se aceitava esse processo de inculturação. Em Santo Domingo, foi aprovado que era necessário inculturar o evangelho na América. Isso exigiu uma adaptação e mostrou que as culturas não são ruins. O que é fundamental na cultura afro? Os orixás. Se tivessem entendido isso desde o começo, os negros teriam adorado. O orixá é como se fosse meu anjo da guarda. Todo mundo ao nascer tem o seu orixá. Na doutrina católica, todo mundo tem o seu anjo da guarda. Então é só porque mudou de nome? Todo mundo da Igreja Católica adora a Deus. Na cultura africana, eu adoro Olorum. Só mudei de nome, não é? O fato de o Vaticano II ter dado atenção a estas culturas fez com que muita coisa que antes era impossível se tornasse fácil. Esse diálogo entre diversas culturas religiosas também ficou.

OP – O Concílio também trouxe a mensagem de uma Igreja mais misericórdia e menos condenação. Vemos muito esta ideia no discurso do papa Francisco, de ir às periferias e alcançar as pessoas. Na sua opinião, do que a Igreja precisa para seguir este caminho e ter mais visão de misericórdia?
Dom José – Precisaria só de uma coisa. Que, nos seminários, se estudasse mais o Vaticano II. Tudo isso está no Concílio Vaticano II. Uma igreja que não está no centro, está na margem, na periferia. Ela tem que ir pra periferia porque é lá realmente que está a missão dela. Precisaria que a gente se convertesse ao Vaticano II e quisesse colocar em prática. Porque não é fácil.

OP – Então seria uma conversão?
Dom José – Seria. E essa conversão não é só no povo. Começa dos bispos. Seria voltar à tradição original, a gente foi perdendo com o tempo. O importante é voltar às comunidades evangélicas primitivas. O pessoal vivia mesmo como irmão. Não tinha “isso é meu”. Isso aqui é nosso. Realmente as comunidades viviam a fraternidade. Elas não estavam preocupadas em defender isso ou aquilo. Estavam preocupadas em viver o evangelho. Precisamos o quanto possível voltar àquele espírito de fraternidade.

OP – Por que a visão da Igreja para os mais pobres precisa começar na formação dos sacerdotes?
Dom José – Pelo evangelho, a Igreja tem que ser dos pobres. O Cristo, ao fazer-se gente como nós, fez a opção pelos pobres. Ele podia ter nascido numa cidade grande,  nasceu em Belém. Podia ter nascido num palácio, nasceu numa gruta. Nem casa tinha. Primeiro sono dele, dormiu num cocho. O presépio é o cocho onde se colocava comida para os animais. Ele fez essa opção pelos pobres. Não excluiu os ricos, mas a opção preferencial foi para os pobres. Então se a Igreja quer ser fiel a ele, ela tem que ver onde é que está havendo mais pobreza. Não é só a pobreza material, às vezes é a pobreza intelectual, pessoas que não são aceitas, que fizeram um crime. Todo esse pessoal que está vivendo uma pobreza física, material, intelectual ou espiritual é o objetivo principal da Igreja.

OP – Como deveria então ser aplicada esta formação convertida ao Vaticano II?
Dom José – O modelo está no Evangelho. Cristo não foi um mestre como os outros. Os outros tinham sua sala, os seus discípulos vinham e sentavam-se, aí ele dava suas lições. Cristo é diferente. Ele saía com as pessoas e ia realizando a vida. E eles iam aprendendo: como é que eu trato as pessoas, como eu devo atender fulano, sicrano. A formação hoje deveria dar muito mais espaço para a realidade. Não ser só uma formação intelectual, ver só estudo de filosofia, teologia. Isso faz parte também. Mas é indispensável o contato com a realidade. A formação sacerdotal hoje deveria ser muito mais integrada à vida do povo. Depois do Vaticano II, houve tentativas neste sentido. Algumas vingaram, outras não. Por exemplo, o tempo da Teologia da Enxada. Jovens que entravam no meio rural, iam para uma propriedade que fosse da Igreja para trabalhar e estudar. Os professores iam lá periodicamente, eles estudavam nas horas vagas. O professor voltava depois e queria ver como é que eles discutiram aquilo. Não vingou, mas aqueles que se ordenaram nesse tempo são padres excelentes. Inclusive, bispos também e alguns são arcebispos. Precisaríamos que isso fosse mais assumido pela Igreja de tal maneira que a gente pudesse ter ao lado dos doutores e professores com formação intelectual os pastores com uma convivência com o povo durante todo o tempo de formação.

OP – Como é vista a Teologia da Libertação no Vaticano? Há uma divisão dentro do catolicismo?
Dom José – A resposta não é fácil. Para nós, que vivemos numa região onde o povo é muito escravo ainda… Tem muita gente que passa fome num País como o nosso, que poderia alimentar o dobro da população que tem. Para estas pessoas, a teologia que serve é a da libertação. Elas têm que se libertar da fome. Em outros lugares, as pessoas têm que se libertar é do vício. Não adianta para eles uma teologia que seja teoria. Não, tem que ser a coisa prática. Isso vai exigir que os pastores conheçam melhor a realidade. Estejam mais em contato com a situação do povo, podendo refletir em cima disso. Como é que o povo está sendo conduzido? É isso que Deus quer? Se não é exatamente isso, o que devemos fazer para que o povo entre no caminho da vontade de Deus? Teologia da libertação é algo que, em um País como o nosso, é indispensável. Antigamente, a teologia era a teoria. Você aprendia aquelas teses todas. Libertação é ver como está o povo, perguntar se é o que Deus quer e fazer alguma coisa.

TEVE UM AVC

Dom José Maria Pires sofre AVC e cancela visita a João Pessoa

O arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires, sentiu-se mal durante a celebração de uma missa em Belo Horizonte e foi levado a um hospital, onde ficou internado na UTI. As versões são de que possivelmente o prelado tenha sofrido um pré-AVC (Acidente Vascular Cerebral), mas médicos que o atenderam asseguram que não há sequelas. Em todo caso, novos exames serão efetuados para um diagnóstico mais completo.

O problema de saúde enfrentado por dom José, que foi arcebispo metropolitano da Paraíba até 1995, originou o cancelamento da programação especial que a Arquidiocese do Estado faria para comemorar os 75 anos de sua ordenação sacerdotal no próximo dia 15, em João Pessoa. O cancelamento foi comunicado à imprensa por dom Genival Saraiva de França, Administrador Apostólico da Paraíba, que apelou por orações dos paraibanos pela saúde de Dom José Maria Pires.

À frente da Arquidiocese da Paraíba, dom José exerceu uma atuação marcante em plena ditadura militar. Ele fez declarações e pronunciamentos que desagradaram comandantes da Guarnição Federal em João Pessoa, denunciando abusos cometidos por agentes da repressão. Dom José também teve posição firme, de solidariedade a trabalhadores rurais ameaçados de expulsão de suas terras pelos proprietários. O papel da Igreja foi decisivo para a desapropriação de áreas de conflito em Alagamar, Piacas e Camocim.

Dom José atuava de forma articulada com dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife e figura influente no clero nacional e no próprio Vaticano. Dom José foi substituído no posto por dom Marcelo Pinto Carvalheira, que era bispo auxiliar da Arquidiocese da Paraíba, além de ter sido bispo de Guarabira, na região do brejo. Dom Marcelo, com problemas de saúde, demorou-se pouco tempo na Arquidiocese, sendo substituído por dom Aldo Pagotto, que renunciou em meio a denúncias de acobertamento de casos de pedofilia sob investigação por autoridades competentes.

Fonte: Polêmica Paraíba

 

Papa Francisco ressaltou importância da fé, no Angelus deste domingo

 

“A fé não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, 13, no habitual encontro dominical no qual rezou, ao meio-dia, a oração mariana com fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração do Angelus, o Santo Padre destacou a página do Evangelho do dia (Mt 14,22-33), que descreve o episódio de Jesus que, após ter rezado toda a noite à margem do lago da Galileia, se dirige rumo à barca de seus discípulos, caminhado sobre as águas.

A barca encontra-se no meio do lago – observa o Pontífice – parada, sem poder avançar, impedida por um forte vento contrário. Quando veem Jesus caminhando sobre as águas, os discípulos confundem-no com um fantasma e se amedrontam.

Mas Ele os tranquiliza: “Coragem, sou eu, não tenhais medo”. Pedro, com seu típico ímpeto, lhe diz: “Senhor, se és tu mande que eu vá ao teu encontro sobre as águas”; e Jesus o chama “vem!”, prosseguiu Francisco descrevendo a cena narrada pelo evangelista.

Descendo da barca, Pedro caminha sobre as águas e vai ao encontro de Jesus, mas, sentindo o vento, fica com medo e começa a afundar. Então grita: “Senhor, salva-me!”, e Jesus lhe estende a mão e o assegura.

Esta narração do Evangelho contém um rico simbolismo, afirmou o Papa, “e nos faz refletir sobre a nossa fé, quer como indivíduos, quer como comunidade eclesial, também a nossa fé de todos nós que estamos aqui, hoje, na Praça”, frisou. A comunidade, esta comunidade eclesial, tem fé? Como é a fé de cada um de nós e a fé da nossa comunidade? – perguntou Francisco.

“A barca é a vida de cada um de nós, mas é também a vida da Igreja; o vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro: ‘Senhor, manda que eu vá ao teu encontro!’ e o seu grito: ‘Senhor, salva-me!’ se assemelham muito ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais duros da nossa vida e das nossas comunidades, marcadas pela fragilidades internas e pelas dificuldades externas.”

Não foi suficiente para Pedro, naquele momento, a palavra segura de Jesus, que era como a corda lançada à qual agarra-se para enfrentar as águas hostis e agitadas.

“É aquilo que pode acontecer também conosco. Quando não se agarra à palavra do Senhor, para ter mais segurança se consultam horóscopos e cartomantes, se começa a ir para o fundo. Significa que a fé não é tão forte”, observou o Santo Padre.

O Evangelho deste domingo nos recorda que “a fé no Senhor e na sua palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; não nos poupa das tempestades da vida”, destacou.

“A fé nos dá a segurança de uma Presença, a presença de Jesus que nos impele a superar os vendavais existenciais, a certeza de uma mão que nos agarra para ajudar-nos a enfrentar as dificuldades, indicando-nos o caminho inclusive quando é escuro. A fé, em suma, não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”, frisou o Papa.

Esse episódio é uma imagem estupenda da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que, ao longo da travessia, deve enfrentar também ventos contrários e tempestades, que ameaçam devastá-la, acrescentou.

“O que salva não são a coragem e a qualidade de seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra. Essa é a garantia: a fé em Jesus e na sua palavra. Nessa barca estamos seguros, apesar das nossas misérias e fraquezas, sobretudo quando nos colocamos de joelhos e adoramos o Senhor, como os discípulos que, no final, ‘se prostraram diante d’Ele, dizendo: ‘Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!’

Que belo dizer essa palavra a Jesus, disse o Papa Francisco convidando os presentes a repeti-la. “Que a Virgem Maria nos ajude a continuar firmes na fé para resistir aos vendavais da vida, a permanecer na barca da Igreja evitando a tentação de subir nos barcos fascinantes, mas inseguros da ideologias, das modas e dos slogans.”

Mãe de três filhos, cozinheira refugiada lembra os horrores da guerra e as dificuldades da jornada até o Brasil

 Beatriz Drague Ramos

Em 2014, a síria Razan Suliman viu seus dois pequenos filhos, Nwaf e Thanaa, serem arrancados de seus braços.  

Seu ex-marido, pai das crianças, trabalhava para o exército de Bashar al-Assad e levou para longe da mãe uma menina e um menino, hoje com oito e seis anos, respectivamente.

Era o começo de uma série de acontecimentos trágicos, que levaram a sunita, hoje com 27 anos, a abandonar seu país e desembarcar, como refugiada, em terras brasileiras.

"Ele fugiu com eles, falou que ia passear, não avisou nada, roubou meus filhos e foi embora. Eu fiquei muito triste, a gente pensou que ele tinha morrido com as crianças. Hoje, ele está na Alemanha com eles. Minha mãe fala com eles, eu não posso, porque somos separados. Ele não deixa eu falar com os meus filhos”, revela com um forte olhar bem marcado pela maquiagem. Seu frágil porte físico e a roupa colorida se contrastam com as adversidades trazidas pela vida.

Sua jornada iniciou-se em abril de 2014, em meio ao grave conflito que persiste por seis anos e matou mais de 320 mil pessoas, segundo o último dado divulgado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Além da intervenção de forças estrangeiras em território sírio, grupos radicais religiosos como o Estado Islâmico promovem uma verdadeira guerra dentro da guerra. Para isso, fazem uso de táticas brutais. "Quando o Estado Islâmico entrou na guerra, todo mundo ficou com medo, ninguém saia na rua. O ISIS pega as mulheres, estupra e mata. A mulher passa por 40, 50 homens por dia. Eles não são islâmicos, não sei o que é isso que eles seguem", diz Razan com indignação.

Lembranças de Aleppo

O primeiro casamento de Razan aconteceu quando ela tinha 18 anos. Aos 19, já tinha nos braços a primeira filha e, três anos depois, nasceu o segundo. Ela conta que a vida com o ex-marido era, até então, confortável.

“Se faltasse alguma coisa pedíamos para a família ou para amigos vizinhos. As relações de vizinhança são muito fortes, um bairro é uma família”, lembra. Razan descreve a vida antes da guerra no centro de uma Aleppo como tranquila, segura e barata, com a possibilidade de seus filhos estudarem em escolas públicas.

Em 2012, Razan pediu a separação, mas seu ex-marido voltou a procurá-la. A situação escalou para a agressão, ocorrida em um episódio de invasão de sua residência por membros do próprio exército. “Ele deu um soco no meu nariz”, conta ela com um ar de normalidade, ressaltando que o caso “foi uma gota frente ao ocorrido com outras mulheres”.

Ao mesmo tempo, a situação política e social no país era agravada com o acirramento do conflito. Ela conta que assistiu às cenas de manifestações, mas sem nenhuma participação efetiva. "Não participei, não é meu problema, mulher não pode participar com eles em nada, fica em casa, não pode nada”, explica deparando-se agora com uma surpreendente, para seus padrões, participação política das mulheres no Brasil. Para ela, é uma “coisa boa”, embora tenha sido criada a vida toda para “nem pensar nisso”.

Recém-separada, a jovem passou a dar aulas particulares de inglês na casa dos pais, ainda em Aleppo. Com a guerra, porém, o país entrou em uma grave crise econômica, deixando milhões de pessoas desempregadas. O PIB da Síria despencou 57% em termos reais desde 2010, de acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI).  

Passar fome tornou-se realidade para a população, especialmente em sua cidade natal, um verdadeiro microcosmo da guerra.  “Onde tem comida é muito cara, se eu vou comprar para os meus filhos preciso de muito dinheiro. Quando começou a guerra, minha família perdeu tudo. Não tinha nada, era muito difícil para conseguir comida e água, era tipo um sonho”, relatou com olhar abatido.

A refugiada chegou a mudar de casa mais de dez vezes e viu mais de 40 amigos e parentes serem mortos. A infraestrutura da cidade também se deteriorou com os ataques aéreos, iniciados em 2013 por Assad. “Caíam bombas a cada minuto, três primos meus morreram em um bombardeio em uma das casas que eu morava”, diz a moça assombrada constantemente pela morte.

Assim, o cotidiano virou um pesadelo. “Fui comprar comida e caiu uma bomba”, lembra. Certa vez, ao sair do esconderijo de uma loja, Razan deparou-se com uma ensanguentada cena, mas ainda assim, salvou a vida de um menino de 12 anos, cuja perna havia sido arrancada pela explosão. “Peguei ele e coloquei em um táxi e fui com ele para um hospital, lá eu vi muitas pessoas mortas e feridas”. Se a criança sobreviveu ou não, ela não sabe.

A barbárie nas ruas de Aleppo não se limitava aos bombardeios: invasões de domicílios da cidade tomada pelos rebeldes ocorriam com frequência enquanto Razan estava lá.

“Eles entram em casa, tiram as coisas e mandam a gente embora. Vamos para outro lugar e é a mesma coisa. Ninguém tem medo de Deus lá, se tem mulher ou criança, para eles não tem problema. Todas as pessoas lá machucam as outras”, lembra, sem esconder a revolta.

Caminhos tortuosos

As invasões e o sequestro de seus filhos, Nwaf e Thanaa, foram a gota d’água para a síria, levando ao fim a esperança de um dia viver em paz. Ao lado de Mohamed, seu novo companheiro, Razan resolveu abandonar a destroçada terra e seguir pela estrada de Aleppo para Damasco.

Mapa Síria

“Dormimos na rua, comemos na rua, tudo na rua. Fomos andando a pé, até saída de Aleppo”, conta Razan, para quem os 310 quilômetros que separam Aleppo da capital Damasco, seu primeiro destino, pareciam infinitos. “Havia uma pessoa morta no carro dele, atrás. Na frente, o motorista e o irmão dele. Eu comecei a chorar. Foram de três a quatro horas de viagem”, conta lembrando do tormento de se deparar mais uma vez com a morte.

Não pretendiam, porém, ficar na capital síria. Com dinheiro arrecadado com doações de amigos e familiares, o objetivo era se afastar da região. “Ficamos na rua um dia, depois fomos para outra cidade, Hama. Mas não aguentamos, porque tinha o mesmo problema de Aleppo: as bombas caiam de minuto a minuto”

Seguiu então para o Líbano, onde teve de pagar a fiscalização e a carona. Nas quase cinco horas de viagem, o sentimento não era de liberdade, mas de tensão e angústia. Em Beirute, abrigou-se com o marido em um quarto durante o Ramadã, mas as privações continuaram ao longo dos três meses em que permaneceu no país.

Com a obtenção do visto, o casal comprou passagens para a França, mas ambos foram barrados no aeroporto, ainda em solo libanês. De volta à estaca zero e com uma frustração e desesperança crescentes, Razan cogitou voltar à Aleppo. Seu marido, porém, insistiu em um novo destino: o Brasil.

Sem falar português e com poucas informações sobre o país, Razan lembra que o impacto e o desconforto ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, foram imediatos. “Estranhei tudo, a roupa, o jeito das pessoas”, conta agora já acostumada com a brasilidade.

Sem dinheiro ou hospedagem, o casal foi acolhido por um desconhecido no próprio aeroporto. “Ele nos levou para a casa dele, onde ficamos dez dias, depois ele nos alugou uma outra casa por um ano”.

Em meio à crise econômica brasileira, os obstáculos continuaram, sobretudo na busca por um emprego. Mohamed trabalhou como guarda de trânsito na Prefeitura de São Paulo por três meses. Depois, conseguiu um trabalho em uma lanchonete. Em 2015, nasceu Adam, seu terceiro filho.

A Mesquita do Brasil auxilia a família com moradia, cesta básica e também com apoio religioso. Vivendo no bairro do Cambuci, Razan notou que a comida árabe fazia sucesso na capital paulistana. Ela passou, então, a cozinhar pratos árabes e vendê-los para vizinhos. Logo, o negócio cresceu e, hoje, a família dedica-se a ele.

Apesar da melhora, vivem com medo de serem despejados do apartamento onde vivem. A ajuda financeira dada pela mesquita limita-se a um período de um ano. "Estou pedindo ajuda do brasileiro para ele me dar doação das coisas, para eu montar a minha cozinha", pede com confiança no povo que a acolheu.

O futuro é uma incógnita, mas a saudade dos pais e dos filhos pequenos é a força que move Razan, que, um dia, sonha em reunir novamente a família destroçada pela guerra.

Por Cartacapital

Sábado, 24 Junho 2017 22:14

Com o demônio não se brinca

Escrito por

 

Grupo católico Os Arautos do Evangelho está na mira do Vaticano por práticas indevidas de exorcismo

Uma notícia do mundo católico revelada nos últimos dias pela imprensa italiana assombrou crentes e não crentes. Os Arautos do Evangelho, um tradicional grupo católico e de origem brasileira, está sendo investigado pelo Vaticano. O motivo da sindicância: uma gravação em vídeo divulgada em reportagem do vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa que exibe os integrantes praticando exorcismos fora das fórmulas da Igreja. Com uma hora e 19 minutos de duração, o registro exibe o fundador da organização, o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, de 77 anos, reunido com cerca de 60 integrantes para apresentar uma transcrição do que seria um diálogo entre um sacerdote da própria associação e o demônio.

O ponto máximo é quando o papa Francisco se torna o assunto. O pontífice, que segundo os preceitos do catolicismo, tem de ser respeitado como a maior autoridade da Igreja, se transforma em alvo de chacota no tal diálogo. “E o Vaticano?”, pergunta o sacerdote do diálogo.                                                                                                                                                                                          Resposta: “Estou na cabeça. Ele é meu. Eu mexo na cabeça. Ele faz tudo o que quero. Ele é um estúpido. Ele me serve .” Pergunta o sacerdote: “Como será a morte dele?” Diz o demônio: “Ele vai escorregar e vai cair. Vai bater a cabeça. Mas ainda falta um pouco. Vai ser no Vaticano. E virá outro papa, Rodé (o nome citado                                                                                                                                          O exorcismo é aceito e praticado no catolicismo. Jesus Cristo, como diz as Escrituras, exorcizou e passou a incumbência aos doze apóstolos. Hoje, há cerca de 300 sacerdotes que o fazem no mundo, 10% deles no Brasil. Todos devem ter sido nomeados pelo bispo local. Na diocese da qual pertence Clá não há ninguém autorizado. Diz Juarez de Castro, pároco da Assunção de Nossa Senhora, em São Paulo:                                                                                                                                                                                                                                                                           A tradição litúrgica admite a existência do diabo e a ele se deve renunciar. Mas, como explica o livro recém-publicado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (Cnbb), Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais: “A Igreja reprova as várias formas de superstição, a preocupação excessiva com satanás e os demônios.                                                                                                                         A Igreja sempre preferiu priorizar em sua pregação a Boa-Nova do Evangelho. Ela não coloca em destaque a fala sobre o maligno e sua ação contrária ao reinado de Deus.”Os Arautos do Evangelho são uma dissidência da TFP. Ao longo de 30 anos, Clá participou da TFP e chegou a ser uma espécie de secretário particular, o homem de confiança de Plinio. Quatro anos depois da morte do Plínio ele criou os Arautos. Hoje a organização está presente em cerca de 50 países.

 

JR Esquadrias